Blatter volta à carga e cobra o Brasil por atrasos nas obras

Para a Copa das Confederações, a situação é ainda mais critica; duas cidades estão classificadas em vermelho pela Fifa.

JAMIL CHADE , ENVIADO ESPECIAL / LONDRES, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2012 | 03h05

Um terço das sedes da Copa de 2014 está com a preparação atrasada e o presidente da Fifa, Joseph Blatter, cobrou de novo o Brasil depois de se reunir ontem com a presidente Dilma Rousseff. Segundo o Estado apurou, o último relatório da Fifa sobre a preparação do País aponta que, faltando um ano para a Copa das Confederações, duas cidades ainda estão classificadas como "vermelho'', ou seja, atrasadas.

Para a Copa, quatro das 12 cidades aparecem em situação de alerta amarelo - a Fifa se recusa a dizer quais. O documento foi preparado pela entidade e publicado no dia 22 de junho. Segundo a entidade, um novo exame já vem sendo realizado e o resultado sairá em agosto. Natal teria deixado a situação mais crítica e hoje estaria classificada em amarelo.

Para a Copa das Confederações, a situação é ainda mais critica. Duas estão classificadas em vermelho pela Fifa.

Ontem, Blatter não hesitou em fazer novas cobranças. "Há cidades marcadas em vermelho. Os trabalhos estão em progresso nos estádios, nos aeroportos, estradas e hotéis. Mas há muito ainda que fazer'', disse. Questionado sobre o conteúdo da conversa, afirmou que os atrasos estavam na agenda. "Certamente falamos sobre os atrasos nas obras'', disse, apontando que esse processo é "normal'' e que, no final, tudo será feito.

"Mas dissemos também que o Brasil precisa trazer um novo ritmo, a rapidez precisa ser maior, caso contrario, não será bom'', alertou. "A Copa das Confederações. O evento não pode ser apenas um ensaio geral para 2014. Existem oito grandes seleções e será uma das maiores competições da Fifa e o Brasil precisa estar pronto'', insistiu. Para ele, basta vontade política. Lembrou que o COI também indicou problemas para os Jogos de 2016.

Aldo Rebelo, ministro do Esporte, tentou minimizar as declarações de Blatter e insistiu que nenhuma referência às cores foi feita no encontro com Dilma. "As obras estarão prontas e serão entregues'', declarou. "Na nossa opinião, não há nada em vermelho'', disse.

Momentos depois, representante da Fifa telefonou para o Estado para tentar abafar as declarações de seu presidente, alegando que não havia nenhuma cidade em vermelho para a Copa e que os relatórios não podem ser tomados sem uma avaliação ao longo dos meses. À noite, diante da repercussão, Blatter também divulgou nota, dizendo que "não há cidades para a Copa em vermelho''. Mas não fez referência à Copa das Confederações.

Ontem, Dilma também se reuniu com Jacques Rogge, presidente do COI, que foi mais diplomático: "Dilma deu todo seu apoio à Olimpíada de 2016''.

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