Bloqueio de sites causa reação de EUA e ONG

A Casa Branca lamentou ontem a decisão chinesa de impedir que jornalistas estrangeiros tenham acesso a um grande número de páginas da internet durante as Olimpíadas de Pequim. Após um acordo com as autoridades chinesas, o Comitê Olímpico Internacional (COI) deu luz verde para que a China bloqueasse o acesso ao conteúdo de sites considerados "sensíveis"."O presidente (dos EUA, George W.) Bush tem dito há tempos aos líderes chineses que a China não tem razões para temer o acesso pleno à internet ou a liberdade de imprensa, a liberdade religiosa e o respeito aos direitos humanos", disse a porta-voz da presidência americana, Dana Perino. Também a organização internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF) protestou contra "outra promessa não cumprida" pela China. "Trata-se de uma provocação às vésperas da cerimônia de abertura dos jogos", diz um comunicado dos RSF. "Essa situação aumenta a preocupação de que haverá muitos casos de censura durante os Jogos Olímpicos. Condenamos o fracasso do COI, que não conseguiu fazer nada para evitar isso", conclui a nota. O porta-voz do comitê organizador dos Jogos, Sun Weide, anunciou que as autoridades só garantirão aos jornalistas estrangeiros credenciados o acesso à internet "suficiente e conveniente". Os líderes do país justificam a medida sob o argumento de que ela é necessária para o combate à pornografia.Entre os sites bloqueados, no entanto, estão os que contêm discussões sobre as questões do Tibete e de Taiwan, a página da organização de defesa de direitos humanos Anistia Internacional, os fóruns sobre o massacre da Praça da Paz Celestial (de 1989) e portais de notícias estrangeiros e de Hong Kong - uma Região Administrativa Especial sob controle de Pequim, mas onde a relativa liberdade de imprensa se manteve em razão de acordos que permitiram, em 1997, a transferência da soberania da Grã-Bretanha para a China.A agência de notícias oficial Nova China, por seu lado, informou ontem que o governo comunista "convenceu" vários sites da internet a "limpar" suas páginas, retirando o conteúdo considerado "erótico".

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