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Antero Greco
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Boi bandido não é Pato

Aloísio costuma exercer papel secundário, ainda mais num elenco que tem nomes graúdos como os de Rogério Ceni, Ganso, Luís Fabiano, fora o descartado Lúcio. O jeito estabanado de correr, dividir, chutar e comemorar gols fizeram com que ganhasse o apelido de Boi Bandido. É meio maluquinho, de fato - e o técnico Muricy Ramalho que o diga, pois já levou uns pés de ouvido do pupilo doidim, quando o São Paulo chega às redes.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2013 | 02h10

Mas há dias em que o boi xucro sacode, dá canseira nos peões tarimbados e sobressai - a turma que aprecia rodeios sabe disso. A vez de Aloísio foi ontem à tarde, em Caxias do Sul. O rapaz fez a trinca nos 3 a 2 sobre o Internacional, em clássico movimentado e com duas decisões polêmicas da arbitragem de Péricles Bassols, ambas com prejuízo para os gaúchos.

Aloísio brigou, ciscou e abriu o marcador em lance em que voltava de impedimento. Era ação, portanto, a ser anulada. Juiz e bandeirinha comeram bola; o atacante, não. Personalidade teve nos dois pênaltis, e ambos acertadamente detectados. Como Rogério Ceni preferiu ficar de molho naqueles momento, depois de quatro erros consecutivos e celeumas intermináveis, lá foi o Boi Bandido testar pontaria e sorte. E pimba! Mandou dois torpedos, sem chance nenhuma para Muriel.

As cobranças foram com gosto, convicção, sem cerimônia nenhuma. Com ignorância, como se definia nas peladas de rua. Nada de paradinha, colocadinha, cavadinha e outras inhas. Castimbou, para ficar no vernáculo boleiro. Mostrou que não é Pato. (Coitado do rapaz, não resisti. E ele terá de suportar gozações por muito tempo...) Dessa maneira, foi o herói da jornada.

Aloísio é a síntese do espírito brigador do São Paulo de Muricy versão final de 2013. Se não joga o fino, o time compensa com dedicação e autoestima em alta. Não há a afobação de antes, nem medo de tentar o passe, a finalização. A confiança cresceu, na mesma proporção em que vieram vitórias decisivas, como as do Brasileiro e, por que não?, como a do meio de semana contra a U. Católica, no Chile.

O astral modificou-se a ponto de os tricolores não se abalarem com os dois empates - o segundo deles, em falha de Rogério ao soltar a bola nos pés de Jorge Henrique. Apesar da pressão colorada, o São Paulo sustentou ritmo forte. Também correu risco de voltar só com um ponto - e isto não aconteceu por outra vacilada de Bassols. Com olhar de lince cansado, viu falta em Jorge Henrique na entrada da área. Sua senhoria errou duas vezes: não teve infração alguma, mas a catimba costumeira de JH; se marcou falta, então era pênalti e não tiro livre direto a meio metro da grande área. Mancada chata.

O São Paulo enfim olha de binóculos a turma da zona da degola - primeiro objetivo, portanto, praticamente alcançado. Agora, tem mais sete rodadas para terminar a temporada de forma digna. E isso significa saltar posições para a parte de cima da tabela. Ou ainda de brilhar na disputa da Sul-Americana. Acreditar não custa caro.

De novo?! Já perdeu a graça essa história de o Corinthians só empatar. Coisa repetitiva. São 14 em 31 partidas, quase a metade. Alto lá, retrospecto mixuruca para o campeão mundial. E, além de muitos empates, fica só na base do 0 a 0 ou 1 a 1. Nem 3 a 3, 4 a 4 emocionantes!

O filme se repetiu diante do Santos, no calor de Araraquara. Para não parecer má vontade com Tite e rapaziada, registre-se que os corintianos criaram bastante, no primeiro tempo, chutaram a gol (oba, uma evolução!) e mereceram a vantagem com Douglas. Na segunda parte, pisaram no freio, apostaram em contragolpes e levaram o gol de Gustavo Henrique. O Santos esteve a ponto de virar. Pato entrou há 20 minutos do fim, ouviu cobras e lagartos de toda parte e... passou em branco.

Outra vez?! O Vasco se candidata a nova disputa da Série B, como em 2009. A vocação para a cair saltou à vista nos 2 a 1, de virada, para a Ponte.

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