Bolt, pronto para Outro espetáculo

Atletismo - Depois do show nos 100 metros, o jamaicano que amanhã completa 22 anos, é a estrela da noite, agora na disputa dos 200 metros

Eduardo Maluf, enviado especial, Pequim, O Estadao de S.Paulo

20 de agosto de 2008 | 00h00

Foi constrangedor. Usain Bolt parecia fazer cooper num parque de Kingston nos 20 ou 30 metros que antecediam a linha de chegada. No Ninho de Pássaros lotado, o jamaicano brincou de correr e, mesmo assim, classificou-se para a decisão dos 200 metros com o melhor tempo entre os finalistas: 20s09. Hoje, às 11h20 (de Brasília), o novo fenômeno do atletismo busca seu segundo ouro em Pequim e o segundo recorde.Não há quem não aposte nisso. Assim como foi nos 100 metros rasos, o velocista mostra enorme superioridade em relação aos concorrentes. E, pelo modo como correu na eliminatória de ontem, pode derrubar a marca do norte-americano Michael Johnson (19s32), obtida em 1996 (veja box ao lado).Bolt foi a grande atração do dia e hoje se espera que venha a roubar a cena novamente. Além do público nas arquibancadas, o Ninho de Pássaros receberá um batalhão de repórteres para acompanhá-lo. Se confirmar o favoritismo, vai igualar Carl Lewis, o último a vencer os 100 m e os 200 m numa mesma Olimpíada, 24 anos atrás, nos boicotados Jogos de Los Angeles. Na época, a União Soviética liderou movimento contra a competição.O jovem, que completa 22 anos amanhã, saiu da prova de ontem dando risada. Na área de imprensa, jogou água nas costas de Shawn Crawford, enquanto o americano, um dos finalistas, dava entrevista. Depois, na hora de falar, descartou o discurso politicamente correto da maioria dos colegas e assumiu o favoritismo."Quero muito ganhar e levar meu segundo ouro, tenho condição para isso", afirmou. "Não me importo com o recorde, apenas com a vitória." Uma das questões mais abordadas com Bolt foi relacionada a seu comportamento durante as corridas. Na final dos 100 m, por exemplo, comemorou antes mesmo de ter ultrapassado a linha. Ontem foi reduzindo a velocidade até a chegada - tão grande era sua vantagem. Vários colegas o criticaram por considerar suas atitudes desrespeitosas e debochadas. "Não sou debochado, não faço isso para provocar, é só meu jeito de ser", rebateu.OBCECADOA obsessão pela vitória se assemelha à de vários grandes campeões, como o nadador americano Michael Phelps e a saltadora russa Yelena Isinbayeva. Nos últimos dias, mesmo após o incrível triunfo nos 100 m, fugiu das comemorações para manter o foco nos Jogos. "A prova dos 200 metros é muito importante para mim", repete. Além de treinar leve e dormir bastante, passou boas horas com a mãe e a namorada, que o acompanham na China.Sua missão na Olimpíada, no entanto, não termina hoje. A partir de amanhã, Bolt inicia a briga por mais um ouro, agora no revezamento 4 x 100 metros.

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