Bom início

Nada como começar um campeonato com vitória. Se for com futebol vistoso, melhor. Mas jogando para o gasto também serve. Vitória sempre traz confiança, dá tranquilidade. Ainda mais quando se é alvo de descrédito, de incerteza. São Paulo, Corinthians e Palmeiras entraram em campo ontem sob esse tipo de pressão. Saíram aliviados, pois deram um bom primeiro passo.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2011 | 00h00

O São Paulo passou por turbulência nos últimos dias, causada pela desclassificação na Copa do Brasil, pelo arranca-rabo entre Carpegiani e Rivaldo e também pela incrível falta de tato da diretoria, que demitiu o treinador e depois mudou de ideia. Precisava ganhar para começar a resgatar a paz. E o fez com autoridade sobre um Fluminense desorganizado e apático. Venceu em São Januário em consequência da aplicação tática dos jogadores, da inteligência, do talento de Lucas e da eficiência de Dagoberto. Foi 2 a 0 em cima do campeão brasileiro. Podia ter sido mais.

O Corinthians estava de farol baixo por ter perdido o título paulista e pela maneira modorrenta como se comportou nas partidas com o Santos. Foi a Porto Alegre e mostrou o conhecido poder de superação. Começou acuado, mas soube suportar a pressão inicial do Grêmio, fechou os espaços, não permitiu ao adversário sentir-se confortável. Pela primeira etapa, parecia que o empate era o máximo que o time poderia aspirar. O correr do jogo demonstrou que não era bem assim. E o gol gaúcho, ao contrário do que se poderia supor, serviu para fortalecer os paulistas.

A desvantagem não desesperou o Corinthians. É fato que o empate obtido com certa rapidez contribuiu para a manutenção das cabeças nos devidos lugares. . Os jogadores souberam como comportar-se diante de um Grêmio abalado por permitir que o troféu do título estadual fosse parar na prateleira do arquirrival Internacional.

A virada por 2 a 1 do Corinthians foi justa, merecida. Premiou um time consciente de suas limitações, mas que sabe (ou pelo menos ontem soube) explorar as deficiências de seu oponente.

De certa forma, a mesma coisa ocorreu em São José do Rio Preto. O Palmeiras também não é lá essas coisas e convive com a desconfiança de parte significativa da torcida, crítica e até mesmo de alguns dirigentes. Mas é time bem armado, sobretudo no setor defensivo, e teve como mérito não permitir que o Botafogo se assanhasse. Claro que os cariocas também têm deficiências gritantes em seu fraco e descompensado elenco. Ontem, por exemplo, não teve ataque. Os paulistas têm, a rigor, um único atacante. E Kleber decidiu a partida.

Ainda assim é preocupante que, nos momentos de maior dificuldade, o Palmeiras viva da categoria, raça e ousadia de Kleber e das faltas cobradas por Marcos Assunção. Valdivia, quando voltar, poderá ajudar. Desde que se dedique.

As vitórias foram salutares, mas não escondem a realidade: Corinthians e Palmeiras precisam de reforços (o São Paulo nem tanto, embora bom jogador nunca seja demais) para que possam lutar pelo título.

A necessidade é a mesma, mas as atitudes dos rivais são diferentes. O time de Parque São Jorge está se movimentando; o de Palestra Itália ainda está na fase das intenções.

O dilema do Corinthians é não ter perspectivas de poder contar logo com os novos "loucos"" do bando. Adriano ainda ficará bom tempo de molho. Alex, o articulador que a equipe tanto precisa, tem de esperar a tal janela de transferências, a não ser que a CBF se renda aos apelos de antecipá-la. Emerson é incógnita. Bom jogador ele é. Mas, se mantiver o índice de contusões apresentado na passagem pelo Fluminense, se transformará num bonde. Com freio.

Tite vem sendo questionado pela falta de ousadia. Seu histórico não indica mudança radical. Time mais ofensivo só armará, se o fizer, quando os reforços tiverem à disposição.

O Palmeiras espera por Maikon Leite e tem o até agora pouco aproveitado Wellington Paulista. Não basta. Passa por dificuldades financeiras (o que já não é mais novidade para o clube). Independentemente disso, precisa se mexer. E rápido.

Decisão correta. O Santos só empatou com o Inter. Qual o problema? Nenhum. O que interessa, agora, é a Libertadores e Muricy fez bem em colocar um time reserva em campo.

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