Bons livros, DVDs, álbum... A Copa já começou

Proximidade do Mundial leva grande variedade de produtos editoriais e audiovisuais às bancas e lojas

Daniel Piza, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2010 | 00h00

O cronista Luis Fernando Verissimo escreveu certa vez uma história para a TV em que a vida de um grupo de amigos era narrada por seus indefectíveis encontros de quatro em quatro anos: eles haviam selado o pacto de torcer juntos pelo Brasil em todas as Copas. Casamentos, divórcios, filhos, empregos, desempregos, mudanças de endereço e sexualidade - tudo era resumido e reavaliado nessas datas. Qualquer um de nós, da mesma forma, pode rever sua própria biografia usando as Copas como capítulos.

Não estranha, portanto, que a dois meses de iniciar a Copa do Mundo da África do Sul, os produtos editoriais e audiovisuais sobre o assunto já apareçam com força nas bancas e nas lojas. Isso é recorrente, claro, mas a quantidade e a qualidade parecem cada vez maiores. E tardiamente, na verdade: o maior evento esportivo do planeta daria ensejo a muito mais ideias, mesmo que não fossem tão bem sacadas quanto às de Verissimo. Como os ídolos do cinema ou as canções populares, grandes jogos pontuam nossa memória emocional - e os grandes jogos de Copa de maneira ainda mais intensa, pela periodicidade e pela importância.

Ao ler ou folhear O Mundo das Copas, do jornalista Lycio Vellozo Ribas (editora Lua de Papel, 608 págs., R$ 69,90), a sensação não é outra. É um almanaque realmente completo, com uma quantidade de informações e curiosidades que nenhum Google pode suprir numa mesma sentada. Para fazer par com ele, a coleção de filmes oficiais Copa do Mundo Fifa 1930-2006 começou a sair na sexta-feira. São 15 DVDs semanais a R$ 9,90 cada, e o primeiro é o da Copa de 70. Assim como o álbum de figurinhas do Mundial da África do Sul que o Estado dá a seus leitores hoje, o registro afetivo do evento é o que tem dado o tom.

No México. Pegue então como exemplo o capítulo de O Mundo das Copas sobre a da seleção tricampeã. A abertura conta quais eram as regras, a bola, os estádios e os participantes, seguidos pela tabela dos grupos. O texto seguinte mostra como o Brasil se preparou e quais eram os 22 convocados, com idade e clube de cada um. Depois há a ficha de cada jogo, com a descrição de cada gol e uma sinopse comentada ao lado, destacando os melhores jogadores; semifinais e final, obviamente, recebem mais espaço, com arte de um dos gols. Há ainda a lista de todos os artilheiros e uma ficha de cada campeão, mais curiosidades e uma seleção dos melhores da Copa.

Polêmica. Em 1970? Foram Mazurkiewicz (Uruguai), Carlos Alberto (Brasil), Cera (Itália), Beckenbauer (Alemanha) e Cooper (Inglaterra); Clodoaldo, Gerson, Pelé e Rivelino; Jairzinho (Brasil) e Müller (Alemanha). A exclusão de Tostão pode render longos papos de botequim, mas esse é o risco e a graça dessas listas. Ainda mais depois de vê-lo em ação no DVD da Fifa, que traz o documentário original completo da Copa, com 90 minutos de duração. Nos extras há sempre biografias de jogadores que fizeram história nesses 76 anos, como, no caso, Roberto Baggio e Ronaldo. Há também um Dossiê Placar, um livreto de 32 páginas com tabelas, estatísticas e fichas dos jogos.

As últimas cem páginas do livro de Ribas ampliam a goleada de dados. Há quadros com a evolução tática e curiosidades como "as dez maiores viradas" ou "as dez maiores goleadas" e um comparativo da altura dos jogadores, apenas a título de ilustração (afinal, Messi tem 1,69 m e é o maior jogador às vésperas da Copa de 2010).

Média de gols. Algumas tabelas dão o que pensar, como a que mostra a queda na média de gols por Copa, que chegou a 5,37 em 1954 e baixou a 2,29 em 2006; ou seja, o futebol atual é, sim, mais disputado e marcado. Outro quadro provocante é o das "grandes ausências da história", que incluem Di Stefano, George Best e Weah. Está aí uma ideia: uma história sobre os craques que não foram às Copas, sentados diante da TV, sofrendo como jogadores e curtindo como torcedores ao mesmo tempo. Verissimo?

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