Dominic Ebenbichier/Reuters
Dominic Ebenbichier/Reuters

Bons resultados fazem Michel Macedo sonhar alto no esqui alpino

Com boa estrutura para treinamentos nos EUA, brasileiro de 20 anos tem evoluído bastante e prevê crescer ainda mais

Luís Filipe Santos, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2019 | 04h30

As histórias de brasileiros nos esportes de inverno costumam ter pontos comuns, como ter de treinar fora do País e as dificuldades para se preparar pela falta de boa estrutura. Michel Macedo, do esqui alpino, passa por parte disso, mas pelo menos está conseguindo uma preparação adequada e, em consequência, alcançado bons resultados, de olho na Olimpíada da China.

Michel, de 20 anos, começou no esqui alpino quando ainda brincava com as pranchas, na infância. A família do atleta se mudou para Portland, no Estado do Oregon (EUA), quando ele tinha quatro anos, para que o pai pudesse estudar em uma universidade americana. A partir dos 12, Michel começou nas “categorias de base” do esporte.

Crescendo gradativamente, escolheu representar o Brasil. Em 2018, veio a primeira chance nos Jogos Olímpicos, em PyeongChang. Uma lesão no ligamento, entretanto, quase impediu sua participação. “Fiz muita fisioterapia e o médico aprovou que eu realizasse a descida. O resultado não foi o que eu esperava, não estava bem física e psicologicamente, mas se podia, eu mandei ver”, relata sobre a participação nos Jogos. 

No esqui alpino, o atleta tem de descer uma montanha no menor tempo possível enquanto bate em bandeiras fincadas na neve, sem errar nenhuma – Michel não conseguiu completar as descidas sem erros.

Depois, ele passou nove meses em recuperação da lesão, perdendo a temporada sul-americana, que começa em abril e vai até meados de setembro. “Foi difícil, mas foi importante para ficar 100%”, conta. Voltou a tempo do começo a temporada do hemisfério norte, no início de novembro.

A nova temporada trouxe evolução para o brasileiro. Após ser aceito em uma faculdade, começou a ter uma boa estrutura de treinos e a competir bem no circuito universitário. “Estou num time novo, e treinar com caras tão bons ou melhores ajuda bastante, é um incentivo. Além disso, é uma montanha nova, uma pista nova, que tem neve dura, e eu tenho equipamento novo. Tudo isso ajuda”, afirma Macedo, que estuda no Middlebury College, em Middlebury, no Estado americano de Vermont, na costa leste do país.

Dessa forma, Michel alcançou o recorde brasileiro da modalidade, com 27.97 pontos, em 17 de fevereiro, e o ouro no slalom gigante em uma competição universitária (da NCAA, primeira divisão), em 17 de março.

Para o futuro próximo, Michel se diz focado na NCAA a princípio. “Meu foco está no circuito universitário, que é bem competitivo, e é bom para o meu esqui. Mas vou tentar juntar pontos no ranking para tentar ir para a Copa do Mundo. Também vou viajar à Alemanha e à Suíça para treinar lá”, projeta. No segundo semestre, ele também participará do Campeonato Brasileiro de Esqui Alpino, que será no Chile.

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