Bons resultados surpreendem Maurren

Maurren Higa Maggi voltou à boa forma. No ano passado, ela não teve resultados expressivos no circuito europeu e na Olimpíada de Sydney, sofreu uma lesão muscular na coxa direita e nem chegou a disputar a final do salto em distância, sua prova preferida. "A imagem que ficou dela em 2000 foi a da contusão. Hoje, está vacinada para encarar fases ruins", afirmou o técnico Nélio Moura.Este ano, depois das quatro medalhas de ouro em cinco meetings europeus, disputados entre junho e julho, Maurren voltou ao Brasil mais confiante e madura. "Foram resultados surpreendentes para mim também. Conseguia saltar bem aqui, mas lá fora não acertava", revelou a atleta.Maurren foi campeã no salto em distância em Milão (6,84 metros), Sevilha (6,87 m), Nuremberg (6,86 m) e Lucerna (6,39 m) e ficou em sexto em Helsinque (6,24 m). A brasileira é a terceira melhor no ranking desta prova na Federação Internacional de Atletismo, com 6,87 m. A líder é a russa Tatyana Kotova, com 7,12 m."Ela mostrou a ela mesma que está entre as melhores", avaliou Nélio, também surpreso com os resultados. "Quando voltou aos treinos, em fevereiro, após dois meses parada, tinha perdido muita massa muscular." Por isso, o técnico esperava o retorno só em junho.Agora, Maurren vai treinar três semanas para competir no salto em distância e nos 100 m com barreiras no Mundial de Edmonton, em agosto. O Troféu Brasil, de 19 a 22, no Rio, integra a preparação.Conta no banco - Maurren perdeu patrocínios individuais (Swatch e Credicard) após a Olimpíada de Sydney. Mas, manteve o apoio da BM&F e 70% do salário da Funilense. "Aprendi que ano olímpico é uma maravilha e que ninguém aposta em atleta machucada", desabafou.A situação enfrentada no ano passado foi ainda mais difícil porque Maurren viveu sua consagração em 1999. Foi quando ela conquistou o ouro no salto em distância e a prata nos 100 m com barreiras no Pan-Americano de Winnipeg. "Foi tudo muito rápido e um bom aprendizado para lidar com a pressão. Nunca mais ela vai ser uma surpresa", acredita Nélio Moura.Com os recentes resultados no circuito europeu, Maurren recuperou o patrocínio da PowerBar, mas não o padrão de vida do ano passado, quando nem sequer ia ao banco pagar contas. Tinha um empresário que também era "office-boy". Hoje, ela recebe hoje 60% a menos do que em 2000. Para ir à Europa, pagou do próprio bolso.

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