Bons tempos em que o Brasil ganhava títulos

Seleção conquistou o Mundial em 59 e em 63, ouro em vários Pans e três bronzes olímpicos

O Estadao de S.Paulo

19 de julho de 2008 | 00h00

O Brasil virou saco de pancada no basquete mundial, mas nem sempre foi assim. Ao contrário: o País se estabeleceu como potência do esporte ao longo do século 20. Conquistou dois campeonatos mundiais, dois vices e ainda dois terceiros lugares. A seleção levou a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 1948, 1960 e 1964. Ainda alcançou um lugar no pódio em todas as edições de Pan-Americanos, com exceção de 1967 - com destaque para o título de Indianápolis-1987, quando se tornou a primeira equipe a bater os americanos em seu território.O auge de toda essa história se deu entre 1959 e 1963, quando o Brasil venceu dois títulos mundiais seguidos. A primeira conquista foi no Chile. A seleção, que tinha Amaury Passos, Wlamir Marques, Rosa Branca e vários outros craques, caiu no grupo B, junto com Canadá, México e União Soviética e se classificou para a fase final do torneio, que tinha sete seleções.Nos seis jogos decisivos, o Brasil bateu os Estados Unidos (então representados pelo time de sua força aérea) e outros quatro adversários. A única derrota foi para os soviéticos. Campanha igual à da União Soviética, que se recusou a enfrentar a seleção de Formosa por motivos políticos e foi excluída da competição - junto com a Bulgária, retirada pela mesma razão. O título fincou definitivamente a bandeira brasileira no mapa do basquete mundial e consagrou craques como Wlamir e Amaury, que ficaram entre os 10 cestinhas da competição, com médias de 18,6 e 15,2 pontos por jogo, respectivamente.A defesa do título ocorreria quatro anos depois, em território brasileiro. O Mundial de basquete começou a ser disputado em 1950, na Argentina, e as cinco primeiras edições foram realizadas na América do Sul.O Brasil, que abrigou a edição de 1954 e foi vice-campeão (atrás dos Estados Unidos), teve em 1963 a dupla missão de se redimir diante da torcida e defender o título conquistado no Chile. E, mais uma vez, o time treinado por Togo Renan Soares, o Kanela, não decepcionou.Reforçado pelo pivô Ubiratan, a seleção também foi beneficiada pelo regulamento da competição. O Mundial de 1963 tinha 13 times, divididos em três grupos com quatro seleções cada um e mais o dono da casa, que entrou direto na fase final. Não teve espaço para ninguém: o Brasil atropelou Iugoslávia, União Soviética, Estados Unidos, França e Itália e revalidou seu título mundial. Depois disso, nunca mais conseguiu conquistar um Mundial, e nem por isso deixou de ter relevância internacional. DECLÍNIO OLÍMPICOA seleção do técnico Kanela já vinha de uma medalha de bronze na Olimpíada de 1960 e conquistou mais uma em Tóquio-1964. A geração bicampeã mundial parou e as medalhas escassearam. No entanto, o País nunca fez feio em Olimpíadas e sempre ficou entre os seis primeiros, com exceção de 1972 (7º) e 1984 (9º). Mas até Atlanta-1996, jamais ficou fora dos Jogos. Bons tempos aqueles.

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