Botafogo para a reação do São Paulo

Tricolor esbarra em um adversário competitivo, perde por 2 a 0 e põe em xeque seu destino no campeonato

Sílvio Barsetti, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2010 | 00h00

Era o momento da afirmação. Mas o São Paulo voltou a deixar sua torcida desconfiada com a atuação apagada na derrota por 2 a 0 para o Botafogo, ontem à tarde, no Engenhão. Totalmente envolvido pelo adversário, escapou de uma goleada. Rogério Ceni foi uma exceção, esteve bem e salvou o time em ao menos três lances. Em que pese a força do Botafogo, terceiro colocado do Campeonato Brasileiro, o clássico no Rio pode ter sido um novo sinal de que o São Paulo não tem condições de lutar pelo título da competição nesta temporada.

A impressão no primeiro tempo foi boa. Era evidente, porém, a fragilidade da equipe com a ausência de Miranda. Xandão e Samuel se atrapalhavam na zaga e não seria uma decisão rigorosa da arbitragem se pelo menos um deles tivesse sido expulso.

Fernandão, uma nulidade em campo, parecia disperso e perdia quase todas as disputas com os alvinegros. Dagoberto não se escondia e buscava as jogadas com deslocamentos rápidos. Esteve em seus pés a grande chance do São Paulo, desperdiçada num chute com estilo, quando o Botafogo já vencia por 1 a 0.

O primeiro gol do time carioca surgiu numa falha da zaga do São Paulo, aos 22 minutos do 2.º tempo. Sem marcação, Caio viu diante de si a bola e Rogério Ceni. Chutou com força, mas o goleiro defendeu, com rebote. Loco Abreu completou. O uruguaio, sucesso na Copa da África do Sul, não comemorou o gol. Um protesto silencioso direcionado ao técnico Joel Santana, que o barrou em alguns jogos do Brasileiro depois do Mundial.

O São Paulo não criava nada do meio para a frente. Sérgio Baresi, antes do gol de Loco Abreu, trocou Marcelinho por Marlos. Não surtiu efeito. A cada minuto, o Botafogo conseguia se impor com a habilidade e velocidade de Maicosuel e de Edno. Loco Abreu comandava o ataque.

Em outro erro do São Paulo, desta vez no meio-campo, o Botafogo ampliou o placar. Edno recebeu a bola de Renato Cajá, invadiu a área e finalizou do lado esquerdo de Rogério Ceni.

Ninguém da equipe visitante esboçava reação. Faltou consistência tática e técnica ao São Paulo. A superioridade do Botafogo, flagrante, levou seus torcedores e pedirem "olé" nos minutos finais. Carlinhos Paraíba e Ilsinho entraram na metade do segundo tempo, mas também não mudaram a dinâmica do jogo.

Com a prancheta nas mãos, Joel Santana pulava e incentivava o time. Ele sabia que, de um lado, podia-se ver uma equipe combalida, sem forças para reagir e com futuro incerto no Brasileiro. E, do outro, um grupo coeso, bem organizado e versátil.

O técnico Sérgio Baresi acredita que a sequência de quatro partidas em São Paulo - Internacional, na quinta-feira, e, depois, Palmeiras, Guarani e Goiás - possa clarear o papel do Tricolor na competição. Ao ser indagado sobre o objetivo de chegar ao título, desconversou. "Cada jogo é uma decisão. Vamos por etapas para buscar a classificação", disse, referindo-se à Libertadores.

Baresi não contestou a vitória do Botafogo. Ao contrário, reconheceu que o adversário atuou melhor e mereceu vencer.

Cambistas. O novo texto do Estatuto do Torcedor não entrou em vigor no entorno do Engenhão ontem. Dezenas de cambistas cercavam os torcedores para oferecer ingressos. À distância, policiais militares e guardas municipais nada faziam.

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