Boxe: baiano é o 1º a garantir vaga

Alessandro Matos, baiano de 22 anos, é o único pugilista brasileiro com presença garantida nas Olimpíadas de Atenas. Ele conseguiu a vaga ao ficar em segundo lugar na categoria 64 quilos no Pré-Olímpico de Tijuana, no México. Venceu três lutas e perdeu a final para o mexicano Jesus Días Navarro, apesar da estranha tática que utilizou. "A torcida era toda a favor dele, mas eu ouvia os gritos e pensava que eles estavam me incentivando, e não o mexicano. Perdi por 37 a 28, mas o que vale é que garanti a vaga", disse Matos, ontem pela manhã, no Aeroporto de Cumbica.A classificação foi uma surpresa. Matos lutou o Pan-Americano de São Domingos, em agosto, na categoria 60 kg. Perdeu na primeira luta. "O sorteio foi duro para mim. Peguei o cubano Mário Kindelán, que é o melhor pugilista amador do mundo. O cara tem 32 anos e muita experiência e fui eliminado."De volta ao Brasil, perdeu a vaga dos 60 quilos para o paraense Myke Carvalho e foi convidado a lutar nos 64 quilos. Essa categoria estava "descoberta" porque Marcos André Costa havia subido para os 69 quilos. Foi substituir Erivan Coelho, que se profissionalizou."Não senti diferença ao aumentar de peso e topei ir ao Pré-Olímpico. Fui ganhando e fiquei com a vaga". Na primeira luta, Matos venceu o haitiano Gregory Michel por decisão do árbitro no quarto assalto. Toda vez que um pugilista abre vinte pontos de vantagem sobre o adversário, a luta é interrompida pelo árbitro. Depois, massacrou Owen Rivera, de El Salvador, e a luta foi interrompida no primeiro assalto. Na terceira, ganhou por 29 a 7 de Juan Zuñiga, da Costa Rica, garantindo a vaga para Atenas. Na final, a derrota para Jesus Navarro.Agora, Matos se reúne com os outros companheiros, que terão a última oportunidade de conquistar uma vaga para Atenas no Pré-Olímpico do Rio de Janeiro, de 4 a 11 de abril. "Nós vamos ficar com as dez vagas e mandar uma equipe completa", diz Matos. O técnico cubano Juan Francisco Garcia, que trabalha com a Seleção Brasileira desde 1995, é menos esperançoso. "Nas últimas Olimpíadas, sempre vamos com seis pugilistas. Nossa meta agora é conseguir sete vagas."O boxe olímpico passou a ter onze categorias depois de Sydney-2000 Em cada Pré-Olímpico, classificam-se os dois primeiros das nove categorias mais leves e o campeão das categorias mais pesadas. O Brasil disputa dez vagas e tem a pequena vantagem de não precisar enfrentar os cubanos, que já têm dez lutadores classificados e disputarão apenas a categoria de 64 quilos, a mesma de Alessandro.

Agencia Estado,

23 de março de 2004 | 09h12

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