Boxe brasileiro busca ouro que não vem há 44 anos

No último Pan-Americano organizado no Brasil, em 1963, com sede em São Paulo, o boxe foi a modalidade que mais acumulou medalhas. Foram nove: três de ouro, cinco de prata e uma de bronze. O espetacular desempenho levou o País ao inédito e não mais igualado segundo lugar na classificação, atrás apenas dos Estados Unidos. Este ano, no Rio, a nobre arte terá outra missão além de tentar repetir o sucesso de 44 anos atrás. Desde o primeiro lugar do peso médio Luiz Leônidas Cezar, o médio-ligeiro Élcio Neves e o pena Rosemiro Mateus, o pugilismo brasileiro nunca mais foi ouro. O último a chegar perto foi o baiano Laudelino Barros, prata nos em Winnipeg/1999. Quatro anos antes, em Mar del Plata, Argentina, seu conterrâneo Acelino Popó Freitas teve o ouro ?roubado? em uma decisão caseira da arbitragem a favor do boxeador argentino.Por ser sede dos Jogos, o Brasil tem presença garantida nas 11 categorias. A equipe ainda não está definida. Na preparação, os boxeadores nacionais foram bem em um duelo contra os italianos - venceram 16 dos 21 combates - e tiveram ótimo desempenho na Copa Independência, na República Dominicana, com sete lutadores nas finais.Presença constante nas convocações, Myke Carvalho (até 64 kg), Glaucélio Abreu (75 kg), Washington Silva (81 kg) e Rafael Lima (91 kg) deverão estar em ação no Rio. Outro que pode ter seu nome relacionado é o pesado Rogério Minotouro, campeão sul-americano e astro do vale-tudo, que planeja ganhar maior visibilidade com o boxe. As chances brasileiras de conquistar o ouro aumentaram com a ausência das principais estrelas cubanas, que desertaram para a Alemanha. A maior baixa do time da maior ilha do Caribe foi o pesado Odlanier Solis, campeão olímpico e mundial. Herdeiro do cetro dos lendários Teófilo Stevenson e Félix Savón, Solis, de 26 anos, não resistiu ao convite para se tornar profissional e ter a chance de reinar na categoria dos pesados, órfã desde a aposentadoria de Mike Tyson e Lennox Lewis.Os rivais mais difíceis serão venezuelanos, norte-americanos, dominicanos, mexicanos e canadenses.´Olha a direita do cubano´O jejum de medalhas de ouro do boxe brasileiro poderia ter chegado ao fim em 1979, durante a disputa dos Jogos de San Juan, em Porto Rico. O peso médio Carlos Antunes se classificou para a decisão. Preocupado com o potencial do cubano, adversário de Antunes na final, o experiente técnico Antonio Carollo, chefe da delegação em inúmeros campeonatos internacionais, passou os três dias que antecederam o duelo chamando a atenção do pugilista. ?Antunes, cuidado com a direita do cubano. Se ela entrar, você vai para o chão, pois é muito forte. Cuidado com a direita dele.? Antunes foi avisado de novo logo ao acordar, ainda na cama. Na hora do café, no treino da manhã, durante o almoço, antes do descanso da tarde, nos exercícios do começo da noite... Carollo não se conteve nem na caminhada final até o ringue antes da luta. Relembrou o aviso antes de colocar o protetor de boca em seu pupilo. Gritou pela última vez antes de o gongo dar início ao combate. Não teve jeito. A direita entrou e a luta durou apenas três segundos.

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