Boxe brasileiro descobre James Dean

O lutador paraense James Dean Pereira, 19 anos, tem uma história em nada parecida com a de seu homônimo, o ator norte-americano James Dean, que no cinema encarnava o desesperado rebelde sem causa dos anos 50. O James Dean brasileiro é um antirebelde por natureza. Nasceu e foi criado numa invasão na periferia de Belém. De família pobre, viveu até os 14 anos cercado por traficantes, drogados e gangues de rua. Resistiu a tudo e a todos, fugiu das más companhias e conseguiu materializar seu sonho de criança: lutar boxe e conquistar títulos. Campeão brasileiro da categoria mosca, James Dean defende seu país nos Jogos Sul-Americanos com um objetivo que não sai de sua cabeça: tornar-se, no futuro, um campeão mundial. Já frequentou a escola cubana, a melhor do mundo no boxe amador. "Aprendi coisas importantes com os cubanos. A maior lição foi a de nunca desistir, mesmo diante das maiores adversidades". Para chegar a uma academia de boxe, teve de frequentar um programa para meninos de rua da Fundação Papa João XXII, da prefeitura de Belém. Esse programa dá escola, alimentação e lazer a crianças e adolescentes em risco de cair na marginalidade. Com o incentivo da mãe e dos vizinhos, muita determinação, começou a se destacar. Até hoje, ganhou 19 lutas e perdeu quatro, todas por pontos. Revelado pelo treinador paraense Ulisses Pereira, que treina o campeão mundial Acelino Freitas, o Popó, James Dean despertou o interesse do Santo André, de São Paulo, onde passou a residir. "Estou me sentindo bem em São Paulo e no próximo ano pretendo retomar os estudos para concluir o segundo grau e fazer o vestibular", anuncia o campeão. Perguntado sobre a origem de seu nome, responde que a sugestão foi de uma amiga de sua mãe. "Ela disse que o nome era bonito e minha mãe aceitou". James Dean confessa ter gostado do nome. Diz que as mulheres também adoram. Aos jovens que estão começando no boxe, ele dá um conselho de quem já esteve bem perto da violência e das drogas, mas preferiu seguir outro caminho: "isso não leva a nada, só ao crime. O melhor mesmo é construir um futuro decente".

Agencia Estado,

08 Agosto 2002 | 18h00

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