Brasil 1 larga para penúltima etapa em ritmo de Copa

Em véspera de Copa do Mundo, futebol é assunto sério entre os tripulantes do Brasil 1, que larga nesta sexta-feira, às 13h30 (de Brasília), para a oitava perna da Volvo Ocean Race, um percurso de 1.500 milhas náuticas, pouco mais de 2.500 km, entre Portsmouth (Inglaterra) e Roterdã (Holanda). De calendário na mão, já se certificaram de que o Brasil não estará em campo enquanto estiverem no mar. ?Demos sorte?, comemora o timoneiro André Fonseca. A seleção estréia no Mundial dia 13, contra a Croácia, dois dias antes da largada da última perna, rumo a Gotemburgo (SUE). Depois, pega a Austrália no dia 18, uma hora após a premiação da etapa da Volvo. ?Teremos de achar uma TV de todo jeito?, diz o regulador de velas João Signorini.Os velejadores só vão perder o amistoso de domingo, contra a Nova Zelândia, o que pode até evitar certa rivalidade interna: o Brasil 1 tem dois tripulantes neozelandeses: Stuart Wilson e Andy Meiklejohn. ?Não entendo por que o Brasil vai jogar contra a Nova Zelândia. Não vai ter graça nenhuma?, comenta Marcelo. ?Brincamos com o Stu e perguntamos se, na Nova Zelândia, eles sabem que o futebol é jogado com os pés?, ri André. Andy reconhece: ?Lá, ninguém gosta de futebol. Do jeito que os neozelandeses jogam, o Brasil vai ganhar de uns 22 a 0.??Na regata, a gente fica um pouco distante do futebol, mas Copa do Mundo é Copa do Mundo, contagia?, diz Marcelo, empolgado com o quarteto mágico. ?Kaká, Ronaldinho, Ronaldo, Adriano... é um excelente ataque, de pôr medo em qualquer um.?André, radicado em Porto Alegre, fala entusiasmado de Ronaldinho Gaúcho. ?Essa é a Copa do Ronaldinho. Ele vai chegar babando, para ser o melhor do Mundial. E o Ronaldo vai se dar bem com isso - lá na área, só empurrando as bolas que o Ronaldinho passar.?Os maiores adversários, na opinião dos velejadores, serão Inglaterra e Holanda. ?Não acredito em surpresa em Mundial. As seleções que vão ter impacto são as que já têm tradição. O pessoal está empolgado aqui na Inglaterra e a equipe tem bons jogadores, que podem fazer um campeonato singular?, analisa Marcelo. ?E a Holanda tem tradição de crescer no meio do Mundial. Sem esquecer a Alemanha, que joga em casa e chega sempre com força.?O navegador holandês Marcel van Triest também acha que sua seleção pode surpreender. ?A Holanda é um time que precisa crescer na competição. Temos um goleiro muito bom, um ataque habilidoso, com Robben e Van Nislterooy, e o técnico Van Basten é carismático. Ainda bem que, se a Holanda cruzar com o Brasil, não estarei mais velejando no meio desses brasileiros?, brinca.Mais comedido, o comandante Torben Grael mantém a cautela ao falar sobre o Mundial. ?Acho que, na Copa do Mundo, o maior inimigo da seleção é o excesso de confiança.?DesafioEm condições normais, o percurso da oitava perna da regata de volta ao mundo, com pouco mais de 300 km, não chegaria a durar um dia. Mas os coordenadores da competição prepararam um desafio maior: em vez de seguir para o leste e subir o Canal da Mancha, os veleiros terão de atravessar o Canal de Solent e dar a volta pela Ilha da Grã-Bretanha, o que, anunciaram, aumentará o tempo de percurso para cinco dias.?É bom pensar em cinco dias, mas estou me preparando para uma semana?, comenta Torben. ?Na travessia do Atlântico, esperávamos cumprir a etapa em uma semanas e acabamos passando 11 dias no mar. Então, é sempre melhor esperar o cenário mais longo.?A cautela de Torben tem seus motivos. Segundo o navegador holandês Marcel van Triest, o começo da perna terá menos ventos, pelo menos no primeiro dia. Depois, os concorrentes devem velejar mais próximos à costa inglesa para aproveitar as correntes.

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