Brasil acende o sinal de alerta

Fim de temporada e o sinal de alerta acendeu no futebol brasileiro. Após o fiasco da seleção de Dunga na Copa do Mundo da África do Sul, quando caiu nas quartas de final diante da Holanda, o "País do Futebol" não justificou tal fama. O craque do Campeonato Brasileiro foi um gringo, os jogadores brasileiros desapareceram da lista de indicados a melhor do mundo da Fifa e, para completar o período de vacas magras, o Internacional foi despachado do Mundial de Clubes pelo "Todo Poderoso" Mazembe, do Congo. A façanha fez o Colorado entrar para a história como o primeiro clube sul-americano a não chegar à final da competição.

Wagner Vilaron e Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2010 | 00h00

Essa série de tropeços suscitou uma questão curiosa: estaria o futebol brasileiro em decadência ou o problema é circunstancial, passageiro? Último campeão brasileiro, o técnico do Fluminense, Muricy Ramalho, não se considera um pessimista. No entanto, é curto e grosso quando ao assunto é a formação de jogadores nos clubes brasileiros. "Esse pessoal que cuida das divisões de base está mais preocupado com a conquista de títulos do que com a formação de jogadores. Por isso é um tal de fazer zagueiro e volante", observou. "Não é por acaso que temos tanta dificuldade atualmente em arrumar meias. O jeito é importá-los, como é o caso do Conca."

Invasão hermana. Dario Conca protagonizou uma situação peculiar nesta temporada. Eleito o melhor jogador do Brasileiro, o argentino se viu perseguido por outros dois compatriotas na briga pelo troféu: Montillo, do Cruzeiro, e D"Alessandro, do Inter.

A supremacia argentina, porém, não se resume à invasão hermana em nossos gramados. Em 2010, pela primeira vez na história o número de atletas argentinos negociados com o exterior superou o de brasileiros. De acordo com a Euroamericas Sports Marketing, empresa especializada em análise do mercado de futebol, 1.716 argentinos deixaram o país, contra 1.443 brasileiros. Se considerarmos que a população argentina representa cerca de um quinto da brasileira, esse número se torna ainda mais expressivo. Como se não bastasse, o melhor jogador do mundo é Lionel Messi, favorito para o "bicampeonato". Em janeiro ele concorre contra seus companheiros de Barcelona, os espanhóis Xavi e Iniesta.

Pessimismo local. A percepção negativa desse momento, segundo o agente Wagner Ribeiro, está mais acentuada no mercado interno. "Me parece que o impacto maior é aqui dentro (do País), pois temos uma referência muito alta do que é sucesso no futebol", afirmou. "É claro que se o Brasil tivesse vencido a Copa e o Inter ganhasse o Mundial o Brasil estaria bombando. Mas não sinto que o mercado lá fora considere o futebol brasileiro decadente. É apenas uma fase sem tantas glórias."

O empresário lembrou recente encontro que manteve com o colega israelense, Pini Zahavi, um dos agentes mais influentes da atualidade. "Em nosso jantar, conversamos sobre o potencial de revelação do futebol brasileiro, que se mantém mesmo quando os resultados não aparecem. Falamos, claro, do Neymar, mas muito também do Lucas, que está no São Paulo", afirmou.

O presidente do Santos, Luis Alvaro Ribeiro, lembra que a impressão mais recente é sempre a mais marcante. "Vale lembrar que cinco meses atrás o mercado estava encantado com o Santos. Isso é cíclico", observou.

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