Brasil ainda busca seu padrão de jogo

Na Suíça, equipe de Felipão faz bom primeiro tempo e abre 2 a 0, mas, após vacilos, cede o empate, quase leva a virada e continua o jejum contra grandes seleções

ALMIR LEITE , ENVIADO ESPECIAL / GENEBRA , O Estado de S.Paulo

22 de março de 2013 | 02h06

A seleção brasileira começou bem o amistoso com a Itália ontem, na Suíça. Fez bom primeiro tempo, abriu 2 a 0 e parecia que, enfim, acabaria com o longo período sem vencer uma equipe da elite do futebol mundial. Mas dois gols relâmpagos após vacilos bobos no início da etapa final não só significaram o empate como fizeram valer a realidade: a seleção de Luiz Felipe Scolari ainda está no início de trabalho e vai oscilar muito antes de adquirir um padrão.

São apenas dois jogos no comando, mas Felipão ainda não venceu - perdeu na estreia por 2 a 1 para a Inglaterra. Ao menos o Brasil não perde dos italianos desde os 3 a 2 da Copa de 1982. E na fria noite de Genebra as duas equipes proporcionaram um bom jogo aos 29.700 pagantes no Stade de Genève, que teve o gramado invadido por alguns torcedores ao fim da partida.

Na fase inicial de um trabalho, sempre há coisas que funcionam e outras que não. E um jogo não serve para se ter certezas, boas ou ruins. Mas é fato que algumas das ideias propostas por Felipão tiveram resultado positivo no primeiro tempo, até se levarmos em conta que a seleção enfrentou um adversário bem mais organizado do que ela.

A pressão em cima dos defensores italianos mostrou-se eficiente e teve o mérito de impedir que muitas bolas chegassem limpas aos pés de Pirlo, que é eficiente e perigoso quando o deixam com liberdade. A inversão feita logo na primeira parte da etapa, com Oscar caindo mais pelo lado, às vezes bem aberto, e Hulk indo atuar no lado esquerdo, dificultou a marcação adversária e possibilitou mais espaços.

Teria sido ainda melhor se Hulk tivesse jogado bem.

A liberdade dada a Neymar também foi interessante. Ele podia se movimentar por todos os setores, mas acabou ficando mais pelo meio e em várias ocasiões ocupou um setor do campo em que normalmente se espera ver Oscar trabalhando. Errou algumas jogadas, perdeu lances aparentemente fáceis para alguém do talento dele.

Mas participou dos dois gols. No primeiro, o passe inicial para Hulk foi dele. O atacante se atrapalhou, mas na sequência acabou saindo o cruzamento e o gol de Fred, cuja eficiência na área é o fato que mais empolga Felipão; no segundo, puxou o contra-ataque e fez a opção certa ao preferir tocar para Oscar em vez de Fred, surpreendendo os rivais.

Outra aposta de Felipão, os volantes mais marcadores começaram claudicantes, com dificuldade de posicionamento - também porque havia espaço à frente deles. Isso permitiu que em 21 minutos os italianos lançassem três bolas nas costas da zaga brasileira - até aquele momento desprotegida como nos tempos de Mano Menezes - e, se não fosse Julio Cesar, o Brasil teria problemas com o placar. O goleiro, aliás, iria fazer outras boas defesas ao longo de toda a partida.

A partir dos 25 minutos, porém, os volantes se acharam e passaram a dar a segurança que deles se espera - foram também bastante auxiliados por Daniel Alves, que muitas vezes deixou seu setor para ajudar no desarme. Mas não só eles como outros companheiros perderam bolas bobas no meio de campo, uma falha que é prudente não repetir.

O problema é que tudo de bom que a seleção fez no primeiro tempo foi pulverizado pela Itália em 12 minutos da etapa final. Ou melhor, em três minutos, pois aos oito De Rossi diminuiu e aos 12 Balotelli empatou, com a colaboração brasileira, que vacilou numa cobrança de escanteio e numa saída de bola.

Nessa altura, os italianos jogavam no 4-3-3 e neutralizam e impediam os brasileiros de explorarem as laterais do campo.

Kaká. O jogo se tornou franco, lá e cá, a seleção demonstrou algum descontrole com o empate sofrido e Felipão resolveu rapidamente recorrer à experiência de Kaká, que entrou no lugar de Oscar, aos 16 minutos.

Com Kaká no time, e depois da entrada do estreante Diego Costa, que substituiu Fred, Neymar passou a atuar mais à frente, com Diego e Hulk vindo por trás. O problema é que dos três só o santista tem qualidade técnica. E Kaká não conseguiu fazer dar dinâmica ao time.

Na defesa, os ataques italianos causavam calafrios aos brasileiros. Principalmente quando aconteciam pelo lado esquerdo da defesa, em que Filipe Luís caiu de produção após bom primeiro tempo (acabou dando lugar a Marcelo) e o zagueiro Dante estava inseguro.

No fim, o empate por 2 a 2 acabou ficando de bom tamanho. Agora, é aguardar o jogo de segunda-feira contra a Rússia, para ver se o time, que terá poucas mudanças e o mesmo esquema tático, apresentará evolução.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.