Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Brasil aposta em medalhas no Mundial de Esportes Aquáticos para amenizar crise interna

Apesar da crise na CBDA, brasileiros vão à Coreia do Sul com boas chances na luta por vagas olímpicas

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2019 | 04h30

Os nadadores brasileiros disputam o Mundial de Esportes Aquáticos, em Gwangju, na Coreia do Sul, com cerimônia de abertura às 8h desta sexta-feira, tentando superar os problemas da gestão esportiva e a crise financeira da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos). 

A entidade aguarda renovação de contrato com os Correios e precisou da ajuda financeira do COB para realizar os principais torneios no País. Os atletas nadam contra a crise para buscar vagas em Tóquio. As maiores esperanças maiores do País estão na natação e na maratona aquática. Na edição anterior do torneio, em Budapeste, o País conquistou oito medalhas.

Os primeiros brasileiros na disputa são Luiz Felipe Santos e Kawan Pereira que disputam as eliminatórias no trampolim masculino 1 m. A prova acontece às 23 h. Na madrugada desta sexta-feira, às 3h30, Luana Lira e Danielle Robles disputam as eliminatórias no feminino. As competições de natação, uma das modalidades mais nobres, começam no dia 20 de julho. O mundial garante vagas olímpicas nos revezamentos, águas abertas, saltos, nado e polo. 

Uma das principais apostas do time brasileiro é a baiana Ana Marcela Cunha, que já conquistou nove medalhas nas maratonas aquáticas. “Todo o planejamento da temporada foi traçado com foco para o Mundial e está sendo executado. Conseguimos alcançar tudo o que foi planejado, que era subir no pódio em todas as etapas do Circuito Mundial. Sem dúvida, a prioridade é a prova dos 10 km, que é a seletiva olímpica. As seguintes (5 km e 25 km) serão encaradas no momento adequado, passo a passo”, diz a nadadora. 

Além de apostar suas fichas na própria Ana Marcela, o Brasil tem chances reais de medalhas na natação com Nicholas Santos (50 m borboleta), Bruno Fratus (50 m livre), Etiene Medeiros (50 m costas) Felipe Lima e João Luiz Gomes Jr. (50 m peito), Marcelo Chierighini (100m livre) e no revezamento 4 x 100m livre masculino. 

O Brasil conta com o nadador mais rápido nos 50 m livre em 2019: Bruno Fratus cravou 21s31 em junho. “Essa geração atual é a melhor da história. Isso é encorajador para todo mundo, inclusive para mim, que estou há mais de dez anos na seleção”. 

A seleção vive a expectativa sobre a presença de Gabriel Santos no revezamento 4 x 100 m livre. O nadador foi flagrado por uso do esteroide anabólico clostebol, em exame fora de competição realizado no dia 20 de maio. Ele será julgado no dia 19 e, caso seja inocentado, estará livre para competir. Se for punido, pode pegar dois anos de suspensão.

Paralelamente aos bons resultados, os problemas administrativos se acumulam. A CBDA determinou regime de home office para seus funcionários no início do ano e fechou sua sede, no centro do Rio, para economizar. A direção da CBDA atrasou pagamentos para funcionários terceirizados.

Antes da abertura, as piscinas registraram as eliminatórias do nado artístico e saltos ornamentais. O lema é da competição é “Mergulhe na paz”, uma trégua simbólica no litígio com a Coreia do Norte. 

A competição é a mais importante na preparação para Tóquio 2020, com números superiores aos mundiais de ginástica e atletismo. As disputas abrangem sete modalidades: natação, águas abertas, saltos ornamentais, salto em plataforma alta, nado artístico, polo aquático e polo aquático de praia. São 2.565 atletas de 194 países, disputando 76 medalhas de ouro em 17 dias de competição. Todas as estrelas estão presentes no último grande evento antes de Tóquio. 

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