Brasil campeão. Mas cariocas ignoram evento

Apesar da distribuição gratuita de ingressos, poucos torcedores acompanharam as provas no Rio

Bruno Lousada / RIO, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2011 | 00h00

Os organizadores dos Jogos Militares asseguravam que a competição, encerrada ontem, seria tão ou mais expressiva que o Pan do Rio, em 2007, por receber atletas do mundo inteiro e não apenas do continente americano. Mas o evento, diferentemente do Pan, não mobilizou tanto os cariocas, apesar de os ingressos terem sido distribuídos gratuitamente.

Especialmente nos esportes de menor apelo, o público era formado, em sua grande maioria, por integrantes das delegações que iam prestigiar os atletas do seu país. Nas modalidades mais badaladas como vôlei, basquete e judô, foi incomum ver as arquibancadas lotadas, principalmente em dias úteis.

Em um recente programa semanal de rádio, Café com a Presidenta, Dilma Rousseff disse que os Jogos Militares devem ajudar o País a organizar a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. Então, há dois alertas para os Jogos Olímpicos, pois problemas ocorreram em dois locais que vão abrigar competições daqui a cinco anos.

Na arena multiuso da Barra, na zona oeste, faltou luz durante o jogo de basquete masculino entre Catar e EUA, disputado na sexta-feira. O duelo, válido pelas quartas de final, foi interrompido por 15 minutos, o que irritou as duas equipes. Somente neste ano, o Engenhão, outro palco dos Jogos de 2016, sofreu apagão em três partidas de futebol.

Em outro caso, a alemã Sandra Hornung, campeã de tiro na prova de pistola 25 metros dos Jogos Militares, elogiou a estrutura do Centro Nacional de Tiro Esportivo, em Deodoro, mas fez uma crítica. Segundo ela, o estande que abrigou a sua disputa tem problema acústico, o que atrapalha o desempenho do atleta. "Os tiros ecoam alto", reclamou Sandra.

A Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE) informou que já havia detectado tal "deficiência" no estande de 25 metros e reforçou que isso vai ser corrigido até a Olimpíada.

Houve ainda denúncia de estupro de um atleta estrangeiro a uma camareira, que trabalhava no quarto do competidor, numa das vilas. A organização do evento abriu investigação e, depois, informou que houve apenas um mal-entendido.

Entre os acertos na organização da competição, o trânsito na cidade não deu um nó, ao contrário do que se esperava, ainda mais com a circulação de mais de 5 mil atletas, e todos os competidores ouvidos pelo Estado elogiaram o nível técnico das equipes, a qualidade de várias instalações e as acomodações.

Outro ponto positivo foi a ação da Força Aérea Brasileira (FAB) de buscar atletas de países africanos para disputar os Jogos. Sem essa solidariedade, muitos africanos não teriam condições de participar das provas.

Tropa de aluguel. Reforçado por muitos competidores de alto rendimento que assinaram contrato temporário com as Forças Armadas para disputar os Jogos, o Brasil conseguiu pela primeira vez ser o melhor no quadro geral de medalhas. Terminou com 45 de ouro, 33 de prata e 36 de bronze.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.