Brasil chega ao Parapan como potência no continente

País tem como meta liderar o quadro de medalhas nos Jogos de Lima

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2019 | 11h00

Caro leitor,

Em nossa viagem rumo a Tóquio, a quarta escala será nos Jogos Parapan-Americanos de Lima, que começam oficialmente nesta sexta-feira e seguirão até o dia 1º de setembro. A delegação brasileira no Peru é recorde, com 512 integrantes, sendo 337 atletas, em 17 modalidades. O número representa um acréscimo de 24% em relação ao time que disputou o Parapan de Toronto, na edição de 2015.

O Brasil é uma potência no paradesporto. Não à toa, você já leu aqui no Estadão que a meta do Comitê Paralímpico Brasileiro em Lima é ultrapassar a marca de cem medalhas de ouro. No Canadá, foram 109. O objetivo é terminar o Parapan em primeiro lugar no quadro geral de medalhas, assim como já ocorreu no Rio-2007, em Guadalajara-2011 e Toronto-2015. Na última edição da competição, a delegação brasileira conquistou 257 pódios (109 de ouro, 74 de prata e 74 de bronze).

Há, porém, uma preocupação geral entre atletas e dirigentes porque o Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês) alterou recentemente a classificação funcional dos competidores e o efeito das mudanças certamente influenciará no número de medalhas dos brasileiros. Vejam, por exemplo, o caso de André Brasil, que ficou inelegível na natação.

Dono de 14 pódios nos Jogos Paralímpicos, ele não pode mais competir no esporte adaptado apesar de ter uma deficiência aparente na perna esquerda decorrente de uma poliomielite por reação à vacina quando tinha três meses de vida. Por causa da sequela, André Brasil possui apenas 25% de força no pé, que quase não mexe como o da direita. Para o Comitê Paralímpico Internacional, no entanto, ele não é mais deficiente e está inapto.

No Pan, três novas modalidades entrarão no programa: parabadminton, parataekwondo e tiro esportivo. Os Jogos Parapan-Americanos de Lima devem reunir 1.890 atletas, de 33 países. O Brasil se destaca por ter uma equipe bastante heterogênea. São competidores de 23 Estados e do Distrito Federal. Quarenta anos separam a atleta mais nova do mais velho na delegação brasileira. Maria Clara Augusto da Silva, de 15 anos, estreia na competição em três provas de atletismo da classe T47 (deficiência nos membro superiores). Já Ecildo Lopes de Oliveira, 55 anos, chega para seu oitavo Parapan no tênis de mesa classe 4 (cadeira de rodas) e vai em busca de sua 11ª medalha. A história de ambos você pôde acompanhar aqui no Estadão também.

Além de medalhas, é lógico, é importante que a delegação brasileira saiba tirar lições desta edição do Parapan-Americano de Lima já projetando Tóquio-2020. Será fundamental observar situações que podem ajudar a delegação no Japão e nos Mundiais de natação e de atletismo, que ocorrerão em setembro e novembro, respectivamente.

Muito da força do Brasil no paradesporto deve-se à estrutura do Centro de Treinamento Paralímpico em São Paulo, obra do legado dos Jogos do Rio-2016. O espaço de 95 mil metros quadrados ao lado da Rodovia dos Imigrantes é referência em excelência estrutural. Boa parte dos recursos para manter o local ainda é de origem pública, mas a ideia é que o financiamento privado cresça nos próximos anos. A conferir.  /COM PAULO FAVERO

Raphael Ramos

Raphael Ramos

Chefe de reportagem

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