Grigory Dukor/Reuters
Grigory Dukor/Reuters

Brasil chega perto, mas falha no fim

Bellucci desperdiça dois match points contra o russo Youzhny, Mello também perde e sonho de voltar à elite é adiado

Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2011 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL / KAZAN

Faltou um ponto, uma jogada vencedora apenas ou até um erro do adversário para o Brasil voltar ao Grupo Mundial da Copa Davis - não figura na elite do tênis desde 2003, quando Gustavo Kuerten ainda estava em atividade. Em partida épica e cheia de contornos dramáticos com 5 horas de duração, Thomaz Bellucci não conseguiu sacramentar dois match points e perdeu para Mikhail Youzhny em cinco sets no quarto duelo da repescagem da competição: 2/6, 6/3, 5/7, 6/4 e 16/14.

Depois de ver a Rússia empatar o confronto em 2 a 2, Ricardo Mello (120.º do ranking) não foi capaz de evitar a virada do time da casa em Kazan. Até se esforçou, mas foi subjugado pelo favorito e potente Dmitry Tursunov (41.º) em sets diretos - 6/1, 7/6 (7/5), 2/6 e 6/3, em 2h56. O Brasil chegou perto como em nenhum dos confrontos de repescagem seguidos disputados nos últimos seis anos.

"No fim, nem era mais um jogo de tênis. Ambos estávamos cansados, tentando jogar a bola para o outro lado da forma que dava"", lamentou Bellucci, que precisava de um ponto quando estava em vantagem por 9/8 no quinto set. Youzhny, 32º do mundo, sacou bem nos momentos importantes e fechou a porta na cara do brasileiro. Dali em diante, o Brasil jamais esteve perto da vitória de novo. "Não é justo que algum dos dois devesse perder. Estou frustrado. Mas talvez, de alguma maneira, ele tenha merecido mais, não sei.""

Youzhny resumiu a vitória em poucas palavras: "O jogo foi equilibrado. Só tive um pouco mais de sorte"".

Irritação. Bellucci, 38.º do mundo, se irritou com duas coisas ontem no jogo de Kazan: as seguidas marcações equivocadas dos juízes de linha e com o destino de ter de perder um de seus melhores jogos em quadra rápida.

"Discutir arbitragem é ruim, mas acho que todos os torneios deveriam ter desafio eletrônico. Não são três marcações erradas que vão mudar o resultado, mas isso incomoda"", afirmou Bellucci. "Uma vitória era muito importante para mim. Estava sonhando em fechar o confronto desde que abrimos vantagem por 2 a 1. Mas não deu. No tênis, ou você perde ou ganha. Coube a mim perder, infelizmente.""

Curiosamente, o tenista brasileiro foi aplaudido pelos jornalistas russos na saída da sala de imprensa. E elogiado pelo rival, atualmente o 32.º do ranking depois de perder 17 posições com eliminação precoce recentemente no US Open.

"Acho que Bellucci fez uma das melhores partidas de sua carreira. Mostrou que o piso rápido que escolhemos não me dava nenhuma vantagem"", disse Youzhny. "Só conseguimos vencer porque o apoio da torcida foi fundamental. Fez toda a diferença quando eu mal conseguia andar em quadra.""

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