Brasil coloca três gerações em quadra no Mundial

Meta do time do técnico espanhol Carlos Colinas é subir ao pódio na República Checa. Estreia é contra a Coreia

Amanda Romanelli, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

O principal desafio da seleção feminina brasileira de basquete sob o comando do novato técnico espanhol Carlos Colinas começa hoje, às 10h15 (de Brasília) - é a estreia do País no Mundial da República Checa, contra a Coreia do Sul. Com uma equipe que reúne três gerações diferentes - desde a veterana Alessandra, de 37 anos, passando por atletas como Érika, de 28, até chegar em Damiris, com 17 - , o Brasil busca melhorar sua posição em relação ao Mundial disputado há quatro anos em São Paulo, quando ficou com o 4.º lugar. Em 15 edições disputadas, a seleção garantiu o título em 1994, na Austrália. Antes, o único pódio fora em 1971, com a medalha de bronze conquistada na capital paulista.

Colinas foi o nome escolhido para selar o consenso na seleção, articulado pela diretora do departamento feminino da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), Hortência Marcari. O espanhol, que pela primeira vez comanda uma seleção adulta, conta com o retorno de Iziane. A ala estava afastada desde 2008 da equipe nacional, quando rompeu com o ex-técnico Paulo Bassul - ela se negou a entrar em um jogo decisivo do Pré-Olímpico de Madri e ficou fora da Olimpíada de Pequim.

O técnico também comandará a veterana Alessandra, que havia decidido se afastar da seleção após litígio com a CBB - ela processou a entidade por causa do seguro do Mundial de 2006. A pivô, que se machucou no torneio e precisou arcar com todo o custo do tratamento, retornou ao time no ano passado, assim como a ala-armadora Helen Luz, a pedido de Hortência.

E, de maneira ainda tímida, Colinas deu início ao necessário processo de renovação da equipe. Convocou e manteve a jovem Damiris, de 17 anos, no grupo que enfrentará Coreia do Sul, Mali e Espanha na primeira fase do Mundial. Também deu continuidade ao trabalho de Bassul ao chamar a pivô Franciele, de 22 anos. Durante a preparação, também contou com a armadora Tássia, de 18, que foi cortada.

Sem emprego garantido. Ao contrário de Rubén Magnano, técnico da seleção masculina e dono de um currículo incontestável, Carlos Colinas, espanhol de 43 anos, não conta com um ouro olímpico em sua lista de feitos. Até então, sua experiência profissional se concentrou nas categorias de base da equipe espanhola.

Seu contrato termina assim que a participação brasileira no Mundial acabar - não sabe se será renovado até 2012, enquanto Hortência não esconde o desejo de ter Janeth como a treinadora da seleção em 2016. Colinas, enquanto isso, faz planos no principal torneio que terá para mostrar seu trabalho. "O primeiro objetivo é estar nas quartas de final", explica. "Depois, dependendo do cruzamento que vamos ter, podemos pensar em metas maiores."

O técnico reuniu a seleção em junho. Venceu o Sul-Americano e, durante os duelos de preparação, conquistou quatro vitórias em sete jogos. Sabe que terá dificuldades com duas atletas consideradas essenciais, Iziane e Érika, que só fizeram três treinos com o grupo - elas disputavam a final da WNBA e se apresentaram no fim de semana. "Eu estou ansiosa, parece que sou novata como a Damiris", diz a pivô, fora da seleção desde 2006. "Mas a expectativa é a melhor possível. O que eu quero é chegar em casa com uma medalha no peito."

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