Brasil consegue virada espetacular e tem chance de revanche contra Rússia

Seleção sai perdendo do Japão por 2 sets a 0, mas reage em jogo histórico e cala o ginásio lotado em Tóquio. Hoje, às 8h30, tenta conquistar título inédito

Valéria Zukeran, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2010 | 00h00

Em um jogo que pode muito bem entrar para a história do vôlei como "A Batalha de Tóquio", a seleção brasileira feminina derrotou ontem o Japão de virada, por 3 sets a 2 (22/25, 33/35, 25/22, 25/22 e 15/11), e garantiu vaga para a decisão do Mundial. Hoje, às 8h30 de Brasília, a equipe terá chance de revanche da final de 2006: mais uma vez o Brasil disputa o título com a Rússia, que venceu os Estados Unidos por 3 sets a 1 (25/16, 13/25, 25/19 e 25/1).

O técnico José Roberto Guimarães saiu de quadra contente com a nova chance de levar a seleção à conquista de um título inédito. "Mas é lógico que a gente não fica feliz com o jogo de hoje (ontem), um 3 a 2 com desgaste muito grande (em 2h39)", ponderou. "Menos mal que conseguimos a vitória e a passagem para essa final tão sonhada."

Fênix, Highlander... Qualquer comparação com um personagem mítico que ressurge depois de morto seria adequada para descrever o que foi o Brasil ontem em quadra. A líbero Fabi resumiu o momento do time: "A gente mostrou o espírito brasileiro, que é não desistir nunca".

A seleção começou com as atacantes dispostas a mostrar sua força. Mas a paciência, a incrível eficiência da defesa - classificada pela ponta Natália como "irritante" - e a tradicional velocidade do ataque do Japão, com Saori e Ebata (29 pontos na partida), iam minando a resistência brasileira. Apesar do equilíbrio em todo o set, as donas da casa, incentivadas pelo Ginásio Nacional Yoyogi totalmente lotado, fecharam a primeira parcial por 22/25.

O quadro não se alterou no segundo set. O Brasil chegou a ter nove set points, mas as japonesas passaram a defender todas as bolas e driblavam o bloqueio, muito mais alto, com velocidade. Terminaram o set em 35/33.

Fechado o set, houve uma pausa de dez minutos. "Fomos para o vestiário e conversamos", revelou a capitã Fabiana. "A partir dali, cada ponto valia ouro. Era hora de berrar, pular, dar uma de louca se fosse preciso para virar a partida. Voltamos com tudo, com alegria e determinação, e conseguimos a vitória."

O técnico brasileiro também entendeu que a parada foi importante. "A energia do vestiário durante a parada foi muito legal. Pensamos: "Trabalhamos tanto durante o ano, nos esforçamos tanto, não é justo sairmos daqui derrotados". Tentei jogar o time para cima"", disse Zé Roberto. "Esse tempo acabou sendo muito importante. As coisas começaram a dar certo a partir do terceiro set. No tie-break, conseguimos emplacar o nosso jogo e parar a Saori e a Ebata."

Reação. O terceiro set seria a hora da verdade para o Brasil. Foi quando veio do banco de reservas a jogadora que mudaria a partida: Sassá. Na base da técnica, a ponta passou a superar a defesa japonesa. A capitã Fabiana também apareceu, tentando incentivar as colegas. Deu certo: 25/22.

Começou, então, a virada histórica. No quarto set, o Brasil finalmente acertou seu bloqueio. As japonesas cansaram, e as bolas do ataque passaram a entrar. Mesmo assim, não foi fácil: 25 a 22. O tie-break foi, ironicamente, o momento mais tranquilo da partida. A seleção brasileira conseguiu abrir importante vantagem no meio do set e foi administrando até o ponto final: 15 a 11.

A oposto Sheilla, maior pontuadora do Brasil com 26 unidades, admitiu que somente nos três últimos sets, quando jogou de forma agressiva, a seleção embalou. "Nosso time é superação, união, alegria. Foi bom demais!", comemorou.

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