''Brasil corre risco de nos envergonhar''

Pelé se diz preocupado com a 'inércia' dos envolvidos na organização do Mundial, os atrasos nas obras e a indefinição em relação ao estádio de São Paulo

Valéria Zukeran, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2011 | 00h00

Pelé está preocupado com o risco de o Brasil dar vexame na Copa de 2014. Em evento de um de seus patrocinadores, realizado ontem em São Paulo, o Rei do Futebol disse acreditar que a preparação do País para o evento está bastante atrasada, de forma que já há possibilidade de algumas obras prioritárias não ficarem prontas a tempo. "O Brasil corre grande risco de envergonhar a gente (os brasileiros) pela maneira como administra a Copa."

Pelé reivindica mais agilidade até porque seu nome está envolvido na conquista da organização da competição. "Isso está realmente nos preocupando, até por tudo o que a gente fez, viajando pelo mundo para pedir votos. O Brasil tem a obrigação de fazer uma boa Copa, mas, infelizmente, já está atrasando. E ainda tem a polêmica com São Paulo..."

O astro não se conforma com a indefinição sobre o estádio paulista. "(São Paulo) é a base do futebol brasileiro. (Os paulistas) deveriam ser os primeiros a definir (o estádio), e ele não está definido", alertou. Segundo o Rei, a comunicação é outro problema sério, mas o que realmente tem incomodado são os aeroportos. "É o que está assuntando mais. E não é só brasileiro que está preocupado. Recentemente conversei com o grupo do Platini (presidente da Uefa) e eles também estão", complementou.

Ressalta, no entanto, que não seria justo comparar a preparação brasileira para a Copa com a da África do Sul, no ano passado. A alegação é de que o número de sedes do último Mundial era muito menor do que no Brasil de forma que o último Mundial não pode servir de referência. "E eles (sul-africanos) tiveram ajuda de pessoas como Bono Vox e Bill Gates", lembrou.

Ronaldo e Ganso. O dia estava para "puxões de orelha" e Pelé reservou um carinhoso para Ronaldo e outro, nem tanto, para Ganso. O Rei fez questão de discordar das declarações do Fenômeno na entrevista de despedida, na qual se desculpou por seus fracassos. "Não acho que ele seja um fracassado", disse o Rei, lembrando que Ronaldo brilhou nos vários países nos quais jogou e que altos e baixos fazem parte da vida de um atleta.

Pelé, porém, admitiu que, no que diz respeito à aposentadoria, faria opções diferentes. "Teria parado um ano e meio atrás, quando o Corinthians ganhou os títulos, como campeão." O Rei ponderou, no entanto, que é difícil para um jogador saber a hora certa de se aposentar.

Pelé também comentou as recentes especulações sobre a saída de Paulo Henrique Ganso do Santos. "Não conversei com Ganso, mas fico triste ao ouvir falar de um jogador que ainda não chegou à seleção, ainda não teve destaque internacional e, mesmo assim, pode mudar de equipe por causa de dinheiro."

O Rei acredita que a situação é resultado mais da ação dos empresários do que do meia e prega paciência. "Quando voltei para o Santos da Copa de 1958 era o sexto salário do time e esperei um ano e meio até o reajuste na renovação de contrato."

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