Brasil, da tragédia à queda anunciada

A derrota para o Veranópolis, por 3 a 1, na noite de terça-feira, confirmou o rebaixamento do Brasil de Pelotas para a Segunda Divisão do Campeonato Gaúcho em 2010. Desde a estreia no torneio estadual, no dia 3 de fevereiro, o clube lutava para driblar um desfecho que se prenunciava inevitável. A mistura da solidariedade recebida de terceiros com a improvisação, abnegação e até algum heroísmo de sua comissão técnica e jogadores não foi suficiente para vencer o trauma do acidente que, no dia 15 de janeiro, matou o zagueiro Régis, o atacante Cláudio Milar e o preparador de goleiros Giovani Guimarães e afastou do time mais seis jogadores - Edu, Xuxa, Alemão, Rafael Gaúcho, Uendel e Odair -, além do técnico Armando Desessards e do auxiliar Paulo Roberto Mathias, por ferimentos."Nas viagens, muitos jogadores não conseguiam mais dormir", relata o presidente do clube, Helder Lopes, conformado com a perspectiva de brigar pelo acesso no ano que vem.O aspecto psicológico prejudicou, mas não explica sozinho a queda do Brasil em uma competição regional. Remontado às pressas, com alguma ajuda financeira da Federação Gaúcha de Futebol e de patrocinadores e com a cessão gratuita de jogadores vinculados a empresários e clubes como o Grêmio e o Internacional, o time de Pelotas foi autorizado a estrear quando seus adversários já tinham jogado quatro jogos. Para recuperar o atraso, teve de jogar a cada dois dias durante o primeiro turno. Nas primeiras partidas o lateral Adriano Sella e o volante Edenilso ainda sentiam dores do acidente. O comovente empenho do Brasil na competição não foi suficiente para evitar as derrotas. Em 13 jogos, o time conseguiu apenas quatro empates. Lopes recorda que, se o clube tivesse desistido de participar do campeonato, teria acumulado prejuízo financeiro ainda maior por perda de cotas de televisão, patrocínio e rendas quando não podia deixar de honrar compromissos com jogadores contratados, familiares de mortos e feridos e até manutenção do estádio. Agora, afirma o presidente, resta jogar as duas partidas que faltam, fazer despedida digna da tradição do Brasil e, depois, com calma, tratar do futuro e de novo recomeço. "Temos a Série C (do Brasileiro) pela frente e é nela que vamos pensar agora", ressalta Lopes.

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