Brasil dá vexame e segue fora da elite mundial

País precisava de mais uma vitória para avançar, mas Bellucci e Ricardo Mello decepcionam e equipe cai na Índia

, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2010 | 00h00

CHENNAI

A expectativa da equipe brasileira era comemorar a classificação ao Grupo Mundial da Copa Davis depois de sete anos. O Brasil chegou ao último dia do confronto contra a Índia vencendo por 2 a 1. Mas os jogos de ontem foram frustrantes. Primeiro, Thomaz Bellucci abandonou a partida diante de Somdev Devvarman. Depois, Ricardo Mello perdeu para Rohan Bopanna. Placar final, 3 a 2 para os indianos.

Na bagagem, o tênis brasileiro traz a vergonha de sofrer uma virada contra adversários inferiores tecnicamente. "Estou bastante desapontado", disse Ricardo Mello, 75.º do mundo, que ofereceu pouca resistência a Bopanna, um duplista veterano, 479.º no ranking de simples, que já havia disputado uma maratona de 4h30 na sexta-feira, quando perdeu para Thomaz Bellucci no primeiro jogo do confronto. A partida decisiva teve apenas três sets - 6/3 7/6 (7/2) e 6/3.

Curiosamente, os dois travaram discussão pela imprensa antes do confronto. Mello disse que a Índia era "um país sujo e miserável". Bopanna respondeu que teria "medo" de vir ao Brasil.

Talvez a polêmica tenha motivado o indiano, que, aos 30 anos, conseguiu fazer o que Bellucci, de 22, não reuniu condições. O brasileiro alegou "dificuldades para respirar" e abandonou o duelo com Devvarman na metade do segundo set - saiu de quadra após 7/6 (7/3) e 4/0. "Estava com problemas para respirar desde o tie-break. Estava fraco e sem energia", explicou o 27.º tenista do ranking mundial. "Tentei até onde pude, mas não consegui seguir no jogo mais."

O Brasil considerava o confronto praticamente definido depois do primeiro dia. Precisava ganhar só um dos três jogos que restavam para voltar à elite do tênis mundial, que não frequenta desde 2003, quando Gustavo Kuerten ainda estava na equipe. No entanto, se deu mal.

"Foi uma derrota de certa maneira inesperada", admitiu o capitão brasileiro, João Zwetsch, que também é o treinador pessoal de Bellucci. "Viemos preparados para tudo o que iríamos encontrar aqui, mas, infelizmente, não conseguimos conquistar o terceiro ponto. O Bopanna foi surpreendente, mas é importante ressaltar que nossa equipe fez o máximo que podia. Agora é pensar pra frente."

No próximo ano, o Brasil volta a disputar a Zona Americana. Se vencer o primeiro confronto, cujo adversário só será conhecido em sorteio, terá a sexta chance consecutiva de voltar ao Grupo Mundial. "Temos de tirar uma lição da derrota", pediu Zwetsch, que assumiu a equipe após a derrota para o Equador em 2009.

Felicidade indiana. Já a Índia retorna à elite do tênis mundial com resultado inédito na sua história. Nunca a equipe do país havia virado um confronto da Copa Davis após perder os dois primeiros pontos. Nem a torcida, que não lotou o complexo de Chennai, acreditava mais na vitória. "Foi o maior esforço de um time que já fiz parte", comemorou o duplista Mahesh Buphathi.

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