Brasil de Mano ainda não convence

Com Ronaldinho se arrastando, time decepciona no primeiro amistoso do ano, mas obtém vitória sobre a Bósnia graças a um gol contra aos 45 do 2ºT

ALMIR LEITE , O Estado de S.Paulo

29 de fevereiro de 2012 | 03h07

Mano Menezes definiu que o amistoso de ontem contra a Bósnia, o primeiro em 2012, marcaria a entrada da seleção brasileira em uma "etapa nova''. Após 18 meses, 21 partidas e 83 jogadores convocados, é hora de atingir um "degrau mais alto'', considera. O primeiro passo, porém, foi dado para trás. A seleção apresentou um futebol sofrível e precisou da canelada de um atrapalhado zagueiro adversário para chegar à injusta vitória por 2 a 1.

O treinador tem dado sinais de que já tem a base para disputar a Copa das Confederações, no ano que vem, e a Copa do Mundo de 2014. O jogo de ontem, no pequeno estádio de St. Gallen, cidade a cerca de 80 quilômetros de Zurique, mostrou, porém, que ainda há muita coisa por fazer. Talvez muito mais que o próprio Mano imaginasse.

Claro, há atenuantes. O frio suíço, o tempo a rigor inexistente para treinar, o desgaste que os jogadores tiveram nas partidas por seus times no final de semana, a longa e cansativa viagem desde o Brasil daqueles que jogam por aqui... Mesmo assim, de uma seleção brasileira nunca se espera uma atuação tão pífia como a de ontem.

Como em algumas ocasiões anteriores, a seleção de Mano voltou a pecar pela falta de ousadia, de criatividade. Mostrou-se confusa taticamente e cansou de dar contra-ataques para o adversário. Teve 69% de posse de bola, número que só serve para mostrar o quanto foi fraca a apresentação. De que adianta ficar tanto com a bola e não ser objetivo, não saber o que fazer com ela?

Algumas apostas do treinador não se justificam, pelo menos no momento atual. Ronaldinho Gaúcho jogou (ou melhor, ficou em campo) até os 15 minutos da etapa final. Foram 60 minutos de pouca ambição, passes laterais. Foi o mesmo Ronaldinho dos tempos recentes no Flamengo.

David Luiz errou passes - num deles o Brasil tomou o gol -, colocou-se mal, foi driblado facilmente. Foi o mesmo David Luiz dos últimos jogos pelo Chelsea. E Julio Cesar falhou, com vem ocorrendo há algum tempo na seleção como na Inter de Milão.

A equipe também teve algumas coisas boas. O bom desempenho dos laterais Daniel Alves e Marcelo, sobretudo no primeiro tempo, o esforço de Leandro Damião, a entrega de Neymar - não foi bem, mas não se omitiu, mesmo caçado em campo.

O curioso ontem é que a seleção começou o ano ganhando por 1 a 0. Isso porque, quando Marcelo marcou aos 3 minutos, num chute cruzado, rasteiro, após ótimo passe de Daniel Alves, a Bósnia praticamente não havia tocado na bola.

Mas o Brasil também começou 2012 tomando gol. No primeiro chute dos bósnios, aos 12 minutos, após erro de passe de David Luiz, que permitiu o contra-ataque e falha de Julio Cesar, Ibisevic empatou.

Ainda assim, a seleção fez alguma coisa no primeiro tempo, criou duas ou três chances, embora tenha permitido à Bósnia dar vários sustos. Na etapa final, porém, o time foi mal. Foram os europeus, a rigor, que criaram mais. E não mereciam que, aos 45 minutos, num chute cruzado de Hulk, que não tinha a direção do gol, Papac marcasse contra e desse a vitória ao Brasil.

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