José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Brasil disputará Jogos Pan-Americanos de 2015 sem força máxima

Com a maioria das equipes garantidas em 2016, País prioriza os Mundiais; entretanto, algumas modalidades terão força máxima 

Amanda Romanelli e Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

02 de janeiro de 2015 | 07h00

Os Jogos Pan-Americanos de Toronto, que serão disputados de 10 a 26 de julho, estão em segundo plano na preparação brasileira para a Olimpíada do Rio. Ao contrário do que ocorreu em edições passadas, o evento poliesportivo disputado no ano pré-olímpico não terá para as seleções brasileiras uma função primordial, a de classificação para os Jogos. E, com a meta do Brasil de melhorar sua posição histórica no quadro de medalhas da Olimpíada, os Mundiais serão o verdadeiro termômetro para 2016.

Marcus Vinícius Freire, superintendente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), confirma que o País não terá força máxima no Pan e que as confederações ganharam liberdade para formar suas equipes. "O Brasil vai com o que cada modalidade, treinador e atleta resolverem dentro de sua estratégia para 2016”, afirma. “Ao contrário de outros Pans, em que a gente tinha muitas modalidades que precisavam se classificar, agora nós temos a maioria das vagas. É um Pan diferente. Continuamos com a meta de ser top 3, mas não estamos preocupados com resultados.”

Isso, no entanto, não quer dizer que o Brasil não levará nenhum de seus principais atletas para o Canadá. Muitos times serão mistos, mas modalidades como judô e atletismo devem ter força total. Nesses dois esportes, os brasileiros deverão enfrentar adversários que serão fortes na Olimpíada. Judocas do País poderão encarar medalhistas olímpicos de Estados Unidos, Canadá e Cuba. Em provas femininas do atletismo, são destaques mundiais a colombiana Catherine Ibarguen, campeã mundial do salto triplo, e a cubana Yarisley Silva, vice-campeã olímpica do salto com vara.

Para os esportes aquáticos e, em especial, a natação, o Pan estará em um momento ruim do calendário, por causa da proximidade com o Mundial, que será disputado em Kazan, na Rússia. Cesar Cielo, que busca revalidar seus títulos mundiais, não viajará para o Canadá. Thiago Pereira, entretanto, já confirmou presença no Pan por um motivo pessoal. Dono de 18 medalhas pan-americanas (12 de ouro, conquistadas em três edições), ele quer bater o recorde de Gustavo Borges, que tem uma medalha a mais. 

O vôlei deverá usar times B por causa da disputa da Liga Mundial e do Grand Prix, assim como o basquete masculino, que vai priorizar o Pré-Olímpico das Américas, muito embora a vaga olímpica deva ser confirmada em março. O futebol masculino já disse ao COB que não vai competir no Canadá. “A CBF nos avisou que não vai usar (o Pan) como treinamento para a Olimpíada e que não aprova que seus atletas joguem em piso sintético”, diz Freire. O futebol feminino, sim, jogará o torneio, que será disputado no mesmo país e pouco depois da realização do Mundial.

Oportunidade. Por ser um evento multiesportivo, o Pan pode ser um treino importante para a experiência olímpica. Afinal, ainda que em menor escala, lá ocorrerão situações típicas de uma Olimpíada: a convivência em uma delegação, a cerimônia de abertura, a Vila de Atletas... Tudo isso faz com que a Confederação Brasileira de Vela pense em escalar a dupla campeã mundial da classe 49er FX, Martine Grael e Kahena Kunze, para o torneio. O resultado ficará em segundo plano.

“Para elas, é uma primeira oportunidade de ir com uma delegação, com uma equipe. Isso é uma experiência importante para os Jogos. Como competição em si o Pan é mais fraco do que outras competições. Só de não ter os europeus é uma baixa grande”, diz Torben Grael, treinador-chefe da seleção.

Essa é a mesma lógica que a ginástica deve utilizar, especialmente no caso da equipe feminina, que terá duas jovens estreando no time adulto - Flávia Saraiva, que disputou a Olimpíada da Juventude em 2014, e Rebeca Andrade. Ambas completarão 16 anos em 2015 e são as principais apostas de um time renovado, que terá de buscar a classificação da equipe no Mundial de Glasgow, marcado para outubro. “O Pan é um pouco antes do Mundial e temos de estar prontas. As meninas precisam testar as séries, são muito novinhas. O Pan vai ser uma base”, diz a ginasta Jade Barbosa.

Para o técnico Morten Soubak, campeão mundial com a equipe feminina de handebol, a disputa no Canadá será uma etapa importante na preparação para o bicampeonato, na edição que será disputada em dezembro, na Dinamarca. “Nós temos poucos dias no ano (para reunir a seleção) por causa dos calendários internacionais. O Pan não tem o mesmo nível do Mundial, mas é necessário para nós reunir a equipe principal em todas as oportunidades.” / COLABOROU NATHALIA GARCIA

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