Thaina Monteiro/Divulgação
Thaina Monteiro/Divulgação

Brasil domina Argentina no primeiro jogo de futebol americano entre os dois países

Placar final de 38 a 0 reflete superioridade técnica apresentada pela seleção brasileira no Mineirão

Felipe Laurence, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2017 | 16h23

Não é nem preciso falar que a rivalidade no futebol entre Brasil e Argentina tem uma história enorme. Mas neste último sábado, 16, o Estádio Mineirão, em Belo Horizonte, que já sediou jogos históricos entre as duas seleções, como na Copa América de 1975 e nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2006, recebeu algo diferente: o primeiro confronto no futebol americano entre os rivais continentais.

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Ainda amador na maior parte do mundo, o futebol americano internacional busca surfar na onda criada pelo aumento da popularidade da NFL, a liga profissional dos Estados Unidos, que cresce de audiência ano a ano no Brasil. O amistoso do sábado foi só o oitavo jogo na história da seleção brasileira de futebol americano, que começou sua história em 2007 contra o Uruguai e desde então contou com um crescimento expressivo, participando do mundial da modalidade em 2015, onde terminou em sétimo lugar. Já a seleção argentina tem um pouco mais de história no esporte e fez seus primeiros jogos oficiais no início da década de 2000.

Para este amistoso, foi organizado um festival na esplanada do estádio que contou com shows, comidas típicas norte-americana e até mesmo exibições de beisebol. Rogério Pimentel, presidente da Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA), afirmou que o amistoso no Mineirão serviu como coroação para o bom ano do esporte no Brasil. “Nosso objetivo maior é tentar projetar o futebol americano praticado aqui no Brasil para o restante do mundo, para que eles saibam que aqui no país se joga futebol americano e se joga bem, com boa estruturação”, comentou. Dentro do Mineirão, o gramado que está acostumado a receber jogos do Cruzeiro e do Atlético-MG contava com as marcantes marcações em jardas e os gols em forma de ípsilon que são habituais no futebol americano.

Em um primeiro tempo com seis fumbles (perda de posse de bola forçada pelo time adversário) e prejudicado pela forte chuva que caia no Mineirão, o Brasil abriu o placar do jogo logo no primeiro quarto, com touchdown corrido do running back Luis Eduardo, que joga no Ceará Caçadores. Destaque também nos primeiros doze minutos de jogo foi a lesão do wide receiver Guilherme Meurer, do Timbó Rex, que foi retirado de campo de ambulância após sofrer fratura no tornozelo. No segundo quarto, o Brasil manteve sua superioridade técnica sobre a Argentina com Luis Eduardo entrando na endzone pela segunda vez, além de forçar um safety quando o quarterback argentino Francisco López sofreu um fumble dentro da sua própria endzone, fazendo a bola sair pela linha de fundo.

Após a volta do intervalo, o Brasil diminuiu de ritmo, mas manteve sua clara superioridade sobre a a seleção argentina, forçando outro safety e marcando novos touchdowns com corrida de Luis Eduardo e após passe do quarterback Rodrigo Dantas para o fullback Everton Antero, ambos do João Pessoa Espectros. No último quarto do amistoso aconteceu a melhor jogada da partida, quando o running back Branco Menezes, que joga no Palmeiras Locomotives, marcou touchdown em corrida de 88 jardas. “Minha convocação foi muito contestada por eu jogar na segunda divisão nacional, mas eu não absorvo as críticas ruins, então estar aqui representando o Brasil e marcar o touchdown representou muito pra minha história no futebol americano”, comentou Branco ao final da partida. Sem conseguir se sobrepor à superioridade técnica brasileira, a seleção argentina nada conseguiu fazer e o amistoso terminou com a vitória contundente de 38 a zero para o Brasil.

Após a partida, Gabriel Mendes, que fez sua estreia como técnico do Brasil, explicou que a chuva fez com que a seleção mudasse sua tática de jogo. “A chuva atrapalhou bastante o espetáculo que a gente gostaria de dar”, explicou. “Nos preparamos aqui em Belo Horizonte pelos últimos dois dias e não choveu, o Brian [Gúzman, assistente técnico] armou um ataque pra cadenciar bastante o jogo, pra imprimir ritmo, mas com o tempo do jeito que estava ficou complicado executar tudo o que preparamos, mas ainda assim conseguimos algumas boas jogadas”, continuou.

“Para o ano que vem queremos continuar na preparação para o mundial de 2019, com mais amistosos e contra times fortes: seleções européias, universidades norte-americanas. Nós já sabemos que somos a grande força na América do Sul, agora precisamos nos testar com times mais fortes para ver até onde podemos chegar”, completou o técnico. Segundo Bruno Guilherme, diretor da Brasil FA, que organizou o amistoso, já há negociações para um novo jogo. “Estamos negociando com algumas confederações e esperamos anunciar algo para o primeiro semestre de 2018”, disse.

LADO ARGENTINO

César Liatti, técnico da Argentina, espera que o amistoso contra o Brasil ajude o futebol americano voltar a crescer no país. “O que vocês fizeram aqui no Brasil em cinco anos nós não conseguimos fazer em dez. Lá na Argentina nossas ligas ainda jogam com nove jogadores de cada lado e temos um grave problema de reposição de jogadores”, lamentou. “Esse amistoso foi a primeira vez que um jogo nosso foi transmitido na televisão argentina, espero que garotos tenham assistido e visto que o futebol americano pode ser uma alternativa ao rúgbi”, continuou.

O safety Matias Peinado, único argentino convocado que joga na liga brasileira, concorda com o seu técnico. “Por conta da nossa história no rúgbi, é um desafio enorme trazer novos jogadores para o esporte. De dez garotos, seis vão pro futebol, três pro rúgbi e nós ficamos com o último perdido”, disse. “Foi uma emoção enorme jogar em um estádio que foi palco de semifinal de Copa do Mundo, nunca pensei que jogaria para tantas pessoas e ver o estádio desse jeito, apesar da chuva, é indescritível”, concluiu.

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