Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Brasil e Argentina lutam para recuperar o moral, às 21h50, em Córdoba

As duas seleções querem, acima de tudo, resgatar o respeito perdido nos últimos meses

Daniel Batista - Enviado especial, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2011 | 00h00

CÓRDOBA - Brasil e Argentina é um confronto com 97 anos de história. É um dos clássicos de maior rivalidade do futebol mundial. Marcado por partidas memoráveis, grandes jogadores - e jogadas -, mas também por discussões, confusões, pancadarias. O duelo desta quarta-feira, às 21h50, em Córdoba, porém, coloca frente a frente apenas duas seleções que têm o intuito de resgatar o moral e o respeito perdidos nos últimos meses.

A partida é de fato um resgate, o da Copa Roca, que não era disputada desde 1976 e que agora ressurge com o nome de Superclássico das Américas. Imponência que a fase atual das duas seleções não justifica. Tanto que o clima de decisão e de rivalidade não parece ter contagiado o público de Córdoba - nem mesmo os atletas.

As estrelas da Europa dessa vez não participam dos jogos, o de hoje e o do dia 28, em Belém. As partidas serão disputadas apenas com jogadores que atuam nos seus respectivos países. Isso não diminui a importância de um bom resultado para a sequência de trabalho dos dois treinadores.

Mano Menezes, o treinador brasileiro, ainda não tem no currículo com vitória sobre uma seleção de ponta e vem recebendo duras críticas pela montagem da equipe. No último amistoso, venceu Gana por 1 a 0, mas não convenceu. Antes, perdeu para a Alemanha por 3 a 2, após ter sido eliminado pelo Paraguai na Copa América.

Não muito diferente é a situação do técnico Alejandro Sabella, da Argentina, que está apenas começando seu trabalho. Ele estreou com magra vitória por 1 a 0 sobre a Venezuela, depois fez 3 a 1 na Nigéria e também não tem respaldo suficiente para falhar, ainda mais diante do arquirrival.

PROBLEMAS

Problemas não lhe faltam. Os principais jogadores da Argentina, os meias Verón e Riquelme, por exemplo, estão fora. Verón será poupado por causa de lesão, mas deverá ficar com o grupo; Riquelme está machucado.

Embora não tenha muito tempo para treinar, Mano resolveu montar um Brasil cheio de novidades. No gol joga Jefferson. Réver e Dedé compõem a zaga, e na lateral-esquerda Kleber é o dono da vaga. Danilo está escalado na lateral-direita. O meio de campo terá Ralf e Paulinho, companheiros de Corinthians. "Vou utilizar os dois jogadores do Corinthians porque assim posso ter um volante de contenção e um que marca, mas que ajuda na criação", justificou. Ele chegou a testar o santista Danilo no meio, mas optou por Paulinho. Renato Abreu será o meia.

O poder ofensivo da seleção terá Ronaldinho Gaúcho, Neymar e Leandro Damião, como no jogo contra Gana. "Teremos dificuldades de entrosamento, claro. Mas vamos utilizar o ataque semelhante ao jogo contra Gana para ganharmos corpo"", disse Mano Menezes.

PARA LEMBRAR

Disputa teve início com gesto raro de honestidade

Brasil e Argentina reeditam hoje um dos torneios mais tradicionais do continente. A Copa Roca não é disputada desde 1976, mas volta com força total e repaginada, ganhando novo nome. Agora é Superclássico das Américas.

A fórmula da competição, no entanto, é a mesma: brasileiros e argentinos se enfrentam para provar sua força e quem levar a melhor ficará com o troféu.

O primeiro jogo é nesta quarta-feira. O segundo será dia 28, em Belém do Pará. Dois palcos inéditos do confronto, que sempre foi disputado em Buenos Aires, São Paulo ou Rio.

O curioso é que se trata de um clássico famoso também por brigas, polêmicas e confusões. A primeira edição da Copa Roca foi marcada por uma demonstração de honestidade rara de se ver no futebol atualmente.

Antes, a competição era disputada em jogo único. No dia 27 de setembro de 1914, as duas seleções se enfrentavam no estádio do Gimnasia y Esgrima, em Buenos Aires, quando, aos 21 minutos do segundo tempo, Leonard marcou o gol que seria de empate da Argentina.

O árbitro Alberto Borgheti, brasileiro, validou o gol. Mas, ao ver a marcação, o argentino comunicou que tentou dominar com o peito, mas acabou tocando com a mão na bola e, por isso, cometeu irregularidade.

Com a atitude surpreendente do argentino, Borgheti invalidou o gol e o Brasil acabou vencendo por 1 a 0.

Na história, foram disputados 22 jogos pela Copa Roca e os "hermanos" são fregueses . O Brasil venceu 11 e os argentinos oito apenas. Três partidas acabaram empatadas.

Em relação a títulos, o Brasil também lidera com larga vantagem. Foi campeão sete vezes (1914, 22, 45, 57, 60, 63 e 76) e a Argentina faturou o título três vezes (1923, 39 e 40).

VANTAGEM BRASILEIRA

11 vitórias

tem o Brasil contra 8 dos argentinos e 3 empates, em 22 confrontos válidos pela Copa Roca

7 títulos

da Copa Roca tem o Brasil, entre eles o da última disputa, em 1976, contra apenas três dos rivais sul-americanos

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