Wilton Junior|Estadão
Rodrigo Pessoa se diz empolgado com a nova função de treinador na Irlanda. Wilton Junior|Estadão

Brasil e Irlanda lutam pelo medalhista olímpico Rodrigo Pessoa

Dono de três medalhas em Olimpíadas pelo Brasil, cavaleiro de 44 anos agora comanda a equipe do país europeu

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2017 | 07h00

Dono de três medalhas olímpicas com o Brasil, o cavaleiro Rodrigo Pessoa se tornou campeão europeu por equipes na semana passada como técnico... da Irlanda. Com isso, o próximo ciclo olímpico do hipismo brasileiro tem uma “questão diplomática” a resolver: Pessoa vai continuar como técnico irlandês ou voltar ao Brasil, depois de ficar fora dos Jogos do Rio?

Antes de Pessoa responder, vale olhar cada opção na mesa. A conquista da Copa das Nações – ou o Campeonato Europeu – foi um grande feito. A Irlanda, país com tradição equestre e que possui vários cavaleiros no Top 50, não vencia o torneio por equipes desde 2001, portanto, 16 anos de fila. “Ganhar era nosso principal objetivo na disputa”, comemora.

Rodrigo Pessoa teve de quebrar paradigmas para chegar à conquista. Além de um planejamento rigoroso, com escolha a dedo de cada torneio onde os cavalos saltariam, e prioridade às competições por equipe, ele contratou um preparador mental para os rapazes. Os irlandeses torceram o nariz para o profissional que acompanhava o time nas disputas e fazia atendimentos individualizados e sessões em grupo. Foi uma inovação não só para a Irlanda, mas para a própria modalidade. Pessoa diz que o time precisava de ajuda para superar as derrotas.

Depois do título europeu, a próxima meta é a classificação da Irlanda para os Jogos de Tóquio. A primeira chance é no Mundial de 2018 nos EUA. Se Pessoa conseguir quebrar mais esse tabu – já são três edições fora dos Jogos – seu passe vai se valorizar ainda mais. Vale dizer que Pessoa está para o hipismo como Neymar está para o futebol. Seu contrato com os irlandeses vai até o fim do ano que vem, mas pode ser renovado. “Gostei de ser técnico. Temos um projeto de dois anos.”

Contra o Brasil. Rodrigo Pessoa vai enfrentar o Brasil pela primeira vez na final da Copa das Nações em Barcelona, entre o dia 28 deste mês e 1.º de outubro. Em julho, o time brasileiro conseguiu vitória inédita em Hickstead, templo do hipismo, e garantiu vaga na final. “Sou amigo de todos e cheguei a ser técnico informal do time por causa da experiência, mas, durante essa competição, a prioridade é a Irlanda”, comenta.

Nos Jogos do Rio, a amizade ficou estremecida. O técnico do Brasil, George Morris, preferiu deixá-lo na reserva, alegando que sua montaria estava abaixo dos outros. Pessoa reclamou publicamente e abriu mão da vaga. Depois de seis edições de Jogos Olímpicos, ficou fora do evento em casa. “Não tem mágoa porque mudou a direção, mudou o presidente, o diretor. Mudou tudo. É uma folha branca agora. Foi difícil supera a injustiça, mas os Jogos não vão voltar.”

Em 2019, nos Jogos Pan-Americanos, o único torneio em que não triunfou, Pessoa deve voltar à seleção brasileira sem dramas. Aí não haverá conflito com a Irlanda. A Confederação Brasileira de Hipismo já indicou que quer contar com o veterano de 44 anos. O problema será em Tóquio, onde os dois países poderão “disputar” o cavaleiro. A data-limite para a opção entre Irlanda e Brasil é 31 de dezembro de 2019. Aí, volta a questão do início da reportagem. “Deixei uma porta aberta, se tiver um cavalo em condições, gostaria de competir em Tóquio”, diz. “Mas, antes, temos duas negociações: uma pela permanência como técnico da Irlanda e a outra para os Jogos Olímpicos.”

Tudo o que sabemos sobre:
HipismoRodrigo Pessoa

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Pessoa relembra morte de cavalo: 'Baloubet era um pedaço da minha vida'

Garanhão foi o parceiro do cavaleiro no título olímpico de 2004, em Atenas

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2017 | 07h00

Depois de 12 anos de aposentadoria em Portugal, com todos os cuidados de que precisava, o garanhão Baloubet Du Rouet se ajoelhou e deixou o corpo cair no chão, sem dor e sem sofrimento. É assim que Rodrigo Pessoa lembra a morte do parceiro do título olímpico de 2004, em Atenas. Baloubet morreu no dia 7 de agosto. “Ele era um pedaço da minha vida. Logo que ele morreu, eu comecei a me lembrar de todos os momentos que vivemos juntos, os bons e os ruins”, diz o cavaleiro.

O relato de Pessoa ganha relevo não só pela conteúdo, mas também pela forma. O cavaleiro domina vários idiomas, fala rápido e às vezes mistura francês, português e inglês. Ao comentar do parceiro, escolhe as palavras, fala devagar e gagueja.

Baloubet era considerado o melhor garanhão de obstáculos do mundo: três vezes campeão mundial e duas medalhas olímpicas (um ouro e um bronze). Também protagonizou uma decepção: nos Jogos de Sydney, na Austrália, a dupla acabou sem medalha depois que o animal refugou três vezes. A prova foi transmitida em horário nobre tamanha a confiança na vitória. “Ainda bem que o Campeonato Europeu começou logo depois da morte dele. Pude desviar a mente”, diz Pessoa.

Notícias relacionadas
Tudo o que sabemos sobre:
Rodrigo PessoaHipismo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.