Divulgação/NBA
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Basquete do Brasil e da NBA são iguais, pelo menos fora de quadra

Fisioterapeuta premiado nos EUA elogia trabalho feito no País

Gustavo Zucchi, O Estado de S. Paulo

23 de dezembro de 2015 | 10h00

Se em quadra o basquete brasileiro ainda está distante da NBA, o mesmo não se pode dizer do rendimento fora dela. Com o fisioterapeuta Alessandro Oliveira, do Brooklyn Nets, sendo eleito o melhor do ano nos Estados Unidos, a pergunta que cabe é se pelo menos em termos de  preparação o Brasil tem alguma chance de equiparar na disputa da Rio 2016 com a seleção norte-americana, que conquistou 14 das 18 medalhas de ouro no basquete masculino e sete das dez já disputadas no  feminino. Segundo o profissional premiado dos Nets, a diferença, pelo menos na fisioterapia, é praticamente inexistente.

"Eu fiz uma palestra esse ano na NBB e os fisioterapeutas do Brasil sempre tocaram muito nesse ponto, nas modalidades e também no maquinário. Acho que a única diferença é que nos EUA, onde trabalho, a gente tem mais facilidade de obter os equipamentos necessário por causa do custo. Pagar em dólar nos EUA ajuda muito. A gente tem um jeito um pouco mais fácil de conseguir o que precisa. No Brasil é diferente", explica Oliveira. "Eu não acredito que tenha muita diferença fora das quadras. Acho que a maior diferença seria nas condições técnicas do jogador."

Segundo o especialista, eleito um dos melhores fisioterapeutas assistentes do ano pela National Basketball Athletic Trainer Association (NBATA), os limites de investimentos impostos na NBA refletem nas comissão técnicas das equipes. O que muda é a mentalidade que existe nos EUA e a que existe no Brasil. "A gente trabalha muito nos EUA, bota a mão na massa mesmo, sente como está a musculatura e trabalha por aí. Então, não uso muitos equipamentos, prefiro muito mais gastar o dinheiro anual que a gente tem com a parte de tecnologia de avaliação de movimentos. Câmeras, trabalho de propriocepção (capacidade de reconhecer a localização espacial do corpo), todos esses são trabalhos mais ativos que mapeamos, com computadores e movimentos. Esse trabalho vai nos dar uma ideia melhor de onde trabalhar no corpo. Ai é colocar a mão na massa."

"Eu acompanho de longe o futebol no Brasil, o centro de treinamentos das grandes equipes grandes do Brasil, e para falar a verdade, alguns clubes estão até à frente do que existe em relação a treinamento nos EUA. Na parte de tecnologia, na parte do laboratório de performance, o americano ainda, pelo menos no profissional, não viu isso ainda", afirma.

EM CASA

No Brasil, com um cenário nacional menos estrelado do que o norte-americano, o mesmo tipo de trabalho é realizado no basquete, como explica o fisiologista da seleção brasileira de basquete e do Esporte Clube Pinheiros, Rafael Fachina. Ele diz que não é por acaso que Alessandro Oliveira foi reconhecido na NBA: temos no País alguns dos melhores profissionais do mundo. "A gente viaja bastante, está sempre conversando. Em qualificação profissional, não tenho dúvidas de que somos bem melhores. Vemos vários profissionais com nível acadêmico, atuando e compreendendo o processo", defende. "Eles têm cultura em que isso é importante e como eles sabem que isso é importante, não discutem se devem investir. Cada equipe discute apenas o quanto vai investir nas técnicas."

Dentro da liga americana essa vontade de aprimorar a qualidade da comissão técnica é um diferencial. Ter os melhores profissionais e centros de treinamento adequados é ponto decisivo na hora de um jogador escolher onde vai jogar. "Aqui nos Estados Unidos, com certeza, isso virou prioridade em várias equipes", diz Alessandro Oliveira. "A gente tem um respaldo da diretoria muito bom para ajudar. Ela realmente entende que o bem estar do atleta, a performance do atleta, é o mais importante na competição. Você conseguir colocar o atleta para jogar é o que a diretoria quer".

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