Brasil é país que mais repatria jogadores

Na temporada passada, 135 atletas voltaram. Em contrapartida, brasileiros também lideram ranking de saída de profissionais

JAMIL CHADE - Correspondente, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2011 | 00h00

GENEBRA - Ronaldo desembarcou no Corinthians em dezembro de 2008. Depois dele vieram Roberto Carlos, Rivaldo, Liedson, Luis Fabiano e Adriano. Chegou-se até a especular sobre a vinda de Kaká. A realidade é que, em pouco tempo, o Brasil se transformou no recordista mundial em repatriamento de jogadores. Dados divulgados nesta segunda-feira pelo Observatório de Jogadores Profissionais, uma entidade de pesquisa reconhecida pela Fifa, revelam que em 2010 nenhum outro país registrou a volta de atletas nacionais em um volume tão grande quanto o Brasil.

No total, 135 jogadores brasileiros que atuavam no exterior resolveram voltar, tanto para clubes da Primeira quanto da Segunda Divisão. Mas a média de idade revela que a chegada desses profissionais não seria exatamente um reforço. O Brasil aparece como o país onde se importa jogadores com a maior média de idade do mundo, acima de 29 anos. Na Itália, um dos principais mercados do planeta, esse número não ultrapassa os 22 anos. Por outro lado, a média de idade dos jogadores brasileiros que vão para o exterior é uma das mais baixas do mundo: 24 anos.

O Brasil continua dono do maior "déficit" no cálculo entre jogadores que saem e aqueles que voltam. Em 2010, o País continuou na liderança mundial de venda de craques. No total, foram 283 atletas negociados apenas para clubes pertencentes às grandes divisões mundiais, contra 213 argentinos. Constata-se que o País tem trocado seus jovens craques por veteranos em fim de carreira.

O próprio instituto de pesquisa admite que clubes brasileiros tentam compensar a saída dos mais jovens com a contratação dos mais velhos. Só o Flamengo repatriou dez jogadores na temporada passada, seguido por Guarani, que trouxe oito, Vasco (sete), Sport e Vila Nova (seis), além de três que aterrissaram no Fluminense.

Será que resolve? Se o Brasil tem repatriado seus velhos astros, a pesquisa alerta que a estratégia tende a não ter resultados positivos em campo. Na Europa, por exemplo, apenas quatro dos 16 clubes que chegaram à fase final da Liga dos Campeões contavam com algum jogador repatriado. Todos os demais tinham apenas novos craques ou esperanças dos times de base.

Para os jogadores, a volta ao Brasil é a chance de relançar sua carreira, estendê-la por mais alguns anos antes da aposentadoria, voltar a ser notado pela torcida e, acima de tudo, pela comissão técnica da seleção, comandada por Mano Menezes, que busca montar um time para a Copa do Mundo de 2014.

Seja qual for o motivo, os pesquisadores estimam que a volta de craques ao Brasil é, talvez, o fenômeno mais relevante na nova fase da globalização das negociações que envolvem o futebol. A entidade responsável pelo estudo estima que fatores econômicos estejam pesando também no novo fluxo de jogadores que voltam ao Brasil.

Dinheiro. Um deles é o surgimento de contratos e salários mais altos, ainda que apenas poucos craques tenham acesso a esses valores. Normalmente são pagos graças a patrocinadores e outros acertos publicitários. Nisso pesa o fortalecimento da economia brasileira e a expansão do mercado, já de olho em 2014.

Segundo a pesquisa, vários clubes sul-americanos têm adotado a mesma estratégia. Na Argentina, foram 131 atletas repatriados em 2010. O Uruguai é outro que também optou por trazer de volta seus craques, ainda que em idade mais avançada.

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