Brasil encara a Índia por volta à elite da Davis

Duelo, na casa do rival, começa com clima quente por conta de declarações infelizes de Ricardo Mello

Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2010 | 00h00

O Brasil tem, a partir de amanhã (3h30 de Brasília, com SporTV2), uma grande chance de conseguir, enfim, o sonhado acesso à elite do tênis mundial. A equipe brasileira enfrenta a Índia, em Chennai, pelos playoffs da Copa Davis. Um triunfo garante o País novamente entre os grandes da tradicional competição após sete anos de afastamento - a última vez que esteve entre os grandes ainda tinha Gustavo Kuerten, em 2003.

Todos os jogadores brasileiros de simples têm rankings superiores aos indianos que participam do confronto. Thomaz Bellucci, 27.º do mundo, joga contra Rohan Boppana, 479.º, mas um reconhecido especialista em duplas - foi à final do último US Open. E Ricardo Mello, 75.º, enfrenta Somdev Devvarman, 113.º na lista da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais). A ordem das partidas será conhecida apenas hoje por sorteio.

Só nas duplas, que jogam depois de amanhã, a Índia leva vantagem: tanto Mahesh Bhupathi quanto Leander Paes estão entre os 15 melhores do planeta, enquanto Bruno Soares e Marcelo Melo são, respectivamente, 37.º e 38.º. "Nas duplas realmente os indianos têm vantagem. A dupla brasileira começou a jogar junta só neste ano e ainda está procurando o entrosamento ideal, mas temos totais condições de sair com a vaga no Grupo Mundial", afirma Thomaz Bellucci.

Beneficia também o Brasil o fato de os indianos terem escolhido quadras rápidas para o confronto e não a temida grama. Mas não será nada fácil. Apesar de uma suposta superioridade técnica, Ricardo Mello deu uma declaração infeliz - disse que a Índia era um país sujo e miserável - que não pegou bem do outro lado da rede. Bopanna respondeu que também teria medo de vir ao Brasil.

Não fica difícil adivinhar que a torcida, que já seria totalmente contra a equipe brasileira, agora ficará mais agressiva. "Vamos ter de jogar contra tudo e todos, não adianta, Copa Davis é assim", conforma-se o capitão João Zwetsch, que assumiu o time depois do fracasso do ano passado, quando o Brasil perdeu para o Equador, em Porto Alegre, mesmo também tendo uma equipe superior tecnicamente. "Mas tenho confiança, porque agora estamos mais fortes do que em 2009. O Bellucci está melhor, a dupla faz boa temporada e o Ricardo é muito experiente."

Grupo Mundial. Amanhã também começam as semifinais do Grupo Mundial. A França, desfalcada de Jo-Wilfried Tsonga, recebe a Argentina, sem Juan Martin Del Potro, mas com David Nalbandian, herói na vitória contra a Rússia. O confronto é em Lyon. E Novak Djokovic, finalista do US Open, tenta levar a Sérvia à sua primeira final: enfrenta a República Checa, em Belgrado.

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