Wilton Junior/Estadão
Brandonn Almeida está de saída para os EUA Wilton Junior/Estadão

Brasil enfrenta debandada inédita de jovens nadadores

Oito dos melhores jovens estão de malas prontas para estudar e se desenvolver como atletas nos Estados Unidos

Demétrio Vecchioli, O Estado de S. Paulo

19 de dezembro de 2016 | 07h00

Em meio a uma crise institucional sem precedentes, a natação brasileira vê também uma debandada inédita. Pelo menos oito dos melhores jovens nadadores do País estão de malas prontas para fazer faculdade nos EUA e lá se desenvolver como atletas. Estão de saída nomes como Brandonn Almeida, medalhista de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, e Felipe Ribeiro, velocista que bateu um por um os recordes de Matheus Santana na base.

Trocar os programas de treinos dos clubes brasileiros pela oportunidade de estudar e treinar em solo americano não chega a ser uma novidade. Ricardo Prado foi um desbravador, nos anos 1980, mas, depois dele, fizeram este caminho Gustavo Borges, Cesar Cielo, Henrique Barbosa, Nicolas Oliveira, João de Lucca e Marcelo Chierighini.

Nunca, porém, tanta gente deixou o País de uma só vez. Dos bons nadadores que terminam o ensino médio este ano ou o fizeram em 2015, praticamente só não vai se mudar para os EUA quem não cumpriu os requisitos escolares. Pelo menos 14 nadadores, de diferentes níveis, já estão acertados com equipes da NCAA, a liga esportiva universitária.

Brandonn Almeida, de 19 anos, já se comprometeu com uma universidade tradicional: South Carolina. Nem ele nem o Corinthians comentam o futuro, à espera da aprovação em todas as provas. Maria Paula Heitmann, 17, que foi à Rio-2016 pelo programa do COB Vivência Olímpica, está fechada com Indiana, para onde seguirá em agosto. Para o Minas, clube dela, esse é "processo natural na história da natação brasileira, devido à ausência de uma política que una esporte de alto rendimento e formação acadêmica."

A Florida State vai se reforçar com Felipe Ribeiro, 18, da Unisanta, e Ana Giulia Zortea, 16, do Flamengo. "Acho que enquanto a CBDA não resolver seus problemas internos, estaremos sempre nessa insegurança", diz Ana Giulia, uma dos cinco juvenis que disputou o Sul-Americano Absoluto pela seleção principal, este ano.

A crise da CBDA não é o único fator que leva os nadadores aos EUA, até porque a aprovação é um processo demorado, que dura mais de um ano. O cenário inclui o contraste de um bom momento da natação brasileira na revelação de talentos com o corte de investimentos dos clubes no início de ciclo olímpico.

No Missouri devem estudar Giovanny Lima, 19, e Bruna Primati, 19, as duas maiores revelações do Sesi-SP, ambos com passagens pela seleção brasileira adulta. Caio Pumputis, 17, atleta mais eficiente do último Brasileiro Juvenil, do Pinheiros, vai para Georgia Tech.

No ano passado, 14 brasileiros participaram da NCAA, a maioria por universidades sem tradição. Destaque apenas para Arthur Mendes Filho, em Auburn, e Vinicius Lanza, em Indiana.

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Gustavo Borges vê filho seguir os seus passos em ida aos Estados Unidos

Luiz Gustavo já está acertado para estudar em Michigan

Demétrio Vecchioli, O Estado de S. Paulo

19 de dezembro de 2016 | 07h00

Tetracampeão universitário nos 100 livre – as provas são em piscinas medidas em jardas, não metros –, Gustavo Borges ensinou o filho, Luiz Gustavo, que esporte e educação deveriam seguir sempre lado a lado. O resultado disso é que, em agosto do ano que vem, pai e filho vão se separar. O garoto, de 17 anos, está acertado para estudar em Michigan.

"Desde cedo meus pais já tinham colocado em casa para ter esporte e educação em nível avançado, de forma que eu pudesse ter alto rendimento no esporte e na escola. A NCCA é a única que consegue oferecer isso. No Brasil, esporte e educação não vão juntos", diz Luiz Gustavo, espelhando o pensamento do pai. A mãe, a espanhola Bárbara Franco, estudou na Universidade da Flórida, e disputou duas Olimpíadas. Ele nasceu na Flórida, em Jacksonville.

"Faculdade e esporte é uma combinação que funciona de uma maneira espetacular nos EUA para jovens que têm interesse e oportunidade. Com certeza, é uma experiência única. Fico feliz pela decisão do meu filho e o caminho que está seguindo", comenta Gustavo, membro do hall da fama da Universidade de Michigan.

Luiz Gustavo, entretanto, garante que o pai não influenciou na escolha. O medalhista olímpico sugeriu também North Carolina, Texas e Stanford, locais com nível acadêmico e esportivo alto. "Mas fui eu quem ligou, mandou e-mail para os técnicos", garante o jovem, que cursa uma escola britânica em São Paulo. Na natação, começou na escolinha do pai, mas sempre defendeu o Pinheiros.

Preservado dos holofotes, Luiz Gustavo começa a ter resultados que justifiquem a comparação com o pai. Competindo como "Luiz Gustavo Franco", em outubro, ganhou o Troféu Julio de Lamare, o Brasileiro Júnior I, nos 50m livre.

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