Franck Fife/AFP
Franck Fife/AFP

Brasil enfrenta desafio duplo em Paris

Além de jogar para pôr fim a tabu de quase 20 anos contra os franceses, equipe de Mano Menezes busca a primeira vitória num grande clássico

JAMIL CHADE, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2011 | 00h00

PARIS - A seleção brasileira entra em campo nesta quarta-feira, às 18 horas (de Brasília), com desafio duplo: acabar com tabu de quase 20 anos sem vencer a França e conquistar a primeira vitória contra uma equipe tradicional do futebol mundial sob o comando de Mano Menezes. Em Paris, o time enfrenta seu maior carrasco das últimas duas décadas, no primeiro amistoso da temporada 2011. Todos os ingressos foram vendidos, e o Stade de France receberá mais de 70 mil pessoas. A partida terá acompanhamento ao vivo do estadão.com.br.

De ambos os lados, as seleções lutarão para recuperar a imagem duramente arranhada com o fiasco na Copa. Ambas se esforçam para promover profundas renovações e reconquistar seus torcedores. Para os jogadores, a partida é mais um passo do vestibular para ganhar a confiança do treinador e um lugar na equipe - 30 dos 46 atletas convocados pelas duas seleções têm menos de 25 anos e quase todos ainda lutam por uma vaga no elenco.

Do lado brasileiro, um meio campo inédito e zagueiros jovens passarão por uma prova de fogo e um teste crítico para começar a determinar quem é que ficará para a Copa América, a ser realizada em julho, na Argentina. Do lado francês, o novo time de Laurent Blanc terá de provar ao público que o fiasco da Copa de 2010 é coisa do passado e que não há por que ter saudosismo da época de Zinedine Zidane.

Para Mano Menezes, o momento é também de mostrar que seu projeto pode dar frutos. Para isso, precisa da primeira vitória contra uma seleção de peso. Por enquanto, foram três vitórias. Mas contra times fracos - Ucrânia, Irã e Estados Unidos. No primeiro teste real, contra a Argentina, em novembro, Messi pôs fim à invencibilidade do técnico gaúcho. Mano e seu projeto ainda têm crédito. Mas uma segunda derrota consecutiva para uma equipe de peso começaria a balançar um pouco as bases da seleção.

Outro desafio será romper o tabu diante da França. Em número de vitórias, o Brasil ainda leva vantagem sobre os rivais europeus. São cinco vitórias, quatro derrotas e quatro empates. Mas as estatísticas escondem uma realidade mais dramática para os brasileiros. A França impediu a conquista da medalha de ouro pelo País na Olimpíada de 1984, eliminou o Brasil da Copa de 1986, humilhou a seleção de Zagallo na final do Mundial de 1998 e, em 2001, mandou a seleção de volta para casa na Copa das Confederações. A última grande derrota ocorreu na Copa de 2006, na Alemanha, onde Zidane deu 'baile' no time de estrelas do Brasil, nas quartas de final, e pôs fim a uma geração que teve grandes nomes como Cafu, Ronaldo e Roberto Carlos.

A última vitória do Brasil ocorreu em 1992, em um amistoso de pouca importância, que teve como grande atração a presença de Ayrton Senna. O ex-piloto deu o pontapé inicial. Naquela ocasião, o estádio onde ocorre o jogo desta quarta, o Stade de France, não existia e a maioria da equipe de Mano tinha entre dois e quatro anos de idade.

Lindas memórias. Laurent Blanc, técnico da França, admite que o Brasil traz "lindas memórias de vitórias aos torcedores franceses". Mas tenta minimizar o peso dos resultados no confronto desta noite. "De tudo o que ocorreu em 1998 só fica o estádio. O resto é tudo diferente, os atletas, o momento..."

A situação de Brasil e a França nesta quarta faz os 'anos dourados' de ambas as equipes parecerem apenas miragem. Entre 1994 e 2004, quase todos os campeonatos haviam sido vencidos por uma das duas seleções. De um total de oito competições organizadas pela Fifa no período, seis foram vencidas ou pelo Brasil ou pela França. O domínio era tão grande que o jogo que comemorou os 100 anos da Fifa, em 2004, foi disputado justamente pelos dois.

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