Joyce Ardies/COB
Joyce Ardies/COB

Brasil espera por evolução em Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude

Competição começa nesta quinta-feira em Lausanne, na Suíça, e vai até o dia 22 de janeiro

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2020 | 04h33

Com 12 atletas para a disputa dos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude, que começam nesta quinta-feira em Lausanne, na Suíça, e vão até 22 de janeiro, o Brasil sabe que a competição é mais uma etapa para seu crescimento internacional nas modalidades de neve e gelo. Se o pódio é quase impossível, a busca principal é pelo aprendizado para uma geração que poderá representar o País no futuro.

Entre os competidores do Time Brasil chama atenção os dois únicos nascidos na região Norte. Taynara da Silva é de Boa Vista, Roraima, enquanto Manex Salsamendi Silva nasceu em Rio Branco, no Acre, mas com dois anos foi morar na Espanha. Em comum ambos têm o fato de nunca terem imaginado que um dia poderiam se tornar atletas olímpicos de inverno, ainda mais representando um país tropical.

"Nasci em Roraima mesmo e nunca imaginei estar em um esporte de neve. Comecei a praticar por causa de uma amiga que é atleta também e desde então nunca parei. Minha família me apoiou bastante. Eles não entendiam muito bem porque no Brasil não tem neve e não imaginavam como que eu iria virar esquiadora assim. Mesmo assim eles sempre estiveram do meu lado", conta Taynara.

Aos 17 anos, ela será a primeira brasileira a competir nos Jogos de Inverno da Juventude. Vai disputar o biatlo no sábado e só depois competirá no esqui cross country, uma modalidade que os atletas nacionais costumam treinar com o roller esqui, que usa rodinhas e simula condições parecidas com as da neve no asfalto.

"Ser a primeira a estrear aumenta muito a minha responsabilidade por causa de só eu estar representando o Brasil no biatlo. Também fui a primeira a chegar aqui na Suíça para competir. Irei fazer as duas modalidades e meu objetivo é tentar concluir todas as provas e sentir que dei o meu melhor", comenta.

Uma das características do biatlo é que, além da parte de esqui na neve, existe a prova de tiro intercalada com a corrida. "Eu treinei com meu técnico Caio no Brasil com a carabina a laser, para ir pegando o jeito de atirar com a que tem munição que usamos na competição", revela Taynara, que já foi terceira colocada sul-americano Sub-16, em 2017, e quarta colocada em prova sul-americana da categoria adulto no ano passado.

Se Taynara já está na Suíça para competir, Manex ainda vai demorar para chegar. Ele está em Livigno, na Itália, com uma rotina forte de treinamento. Apenas no dia 16 de janeiro vai para Lausanne e  dois dias depois começam as primeiras corridas. "Temos ainda alguns dias pra aproveitar e treinar o melhor possível", avisa o atleta de 17 anos.

Manex ganhou no ano passado cinco medalhas de ouro e quatro de prata em nove provas júnior sul-americanas no esqui cross country. Sua mãe é acreana e o pai é basco. Eles se conheceram no Brasil e Manex, depois de viver dois anos em Rio Branco, foi morar na Espanha. "Mesmo assim eu nunca pensei que seria esquiador", admite.

"Com 8 anos eu fui morar nos Pirineus, em Navarra, no Vale de Roncal. Perto existem duas estações de esqui cross country. Meu pai sempre gostou da montanha e desde pequeno ia esquiar com ele. No vale tem um clube de montanha, chamado Club Pirineos de Roncal, do qual ainda faço parte até hoje. E foi aí que comecei as minhas primeiras corridas e competições", diz.

Até por isso, nunca faltou incentivo em casa. "Eu sempre tive muito apoio da minha família. Isso até agora foi essencial, já que é um esporte de muitos deslocamentos e de muitos gastos com o material. Também na Espanha o esqui é um esporte minoritário comparado com outros esportes. Sem apoio familiar teria sido impossível."

O atleta vai competir na prova de distância e de sprint no esqui cross country. "O meu objetivo é fazer a melhor corrida possível e tentar ficar na primeira metade da classificação, já que o nível dos atletas vai ser bastante alto", afirma o rapaz, que terá ainda as companhias de Rhaick Bomfim e Eduarda Ribera, além de Taynara, nas provas.

A delegação nacional ainda terá Noah Bethonico no snowboard cross, Lucas Carvalho e Larissa Cândido no skeleton, Gustavo Ferreira no monobob e Michael Velve, Gabi Rogic Farias, Vitor Melo e Leticia Cid no curling. Além de Lausanne, a competição tem uma sub-sede em St. Moritz. São 1.872 atletas (em igualdade de gênero) que competirão durante 13 dias em oito esportes. Esta será a terceira edição dos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude.

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