Brasil fatura duas medalhas no primeiro dia

Como era de se esperar, Leandro Cunha e Sarah Menezes tiveram um difícil caminho para ganhar a prata e o bronze

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2011 | 00h00

O judô brasileiro começou o Mundial de Paris da mesma forma que terminou a edição anterior, no ano passado, no Japão. Com Sarah Menezes e Leandro Cunha no pódio. E nas mesmas posições. O judoca de São José dos Campos repetiu o segundo lugar no peso meio-leve (até 66 quilos), enquanto a piauiense no ligeiro (até 48 quilos) voltou a ganhar a medalha de bronze. Dos três atletas brasileiros em ação ontem na França apenas o ligeiro Felipe Kitadai (até 60 quilos) não teve sucesso. Ele caiu nas oitavas de final.

Além das medalhas, Sarah e Leandro garantiram presença na Olimpíada de Londres. Só uma contusão os tira dos Jogos. "Estou no caminho certo. Bati na trave de novo, mas mostrei evolução. Terminei o Mundial inteiro fisicamente", disse Leandro, conhecido por Coxinha. "É que minha mãe faz salgadinho e eu levava para o meu professor (Orlando Hirakawa) quando era pequeno", afirmou o atleta, de 30 anos, que começou no judô aos 4.

Sarah também estava radiante e não parou de sorrir após ganhar o bronze. "A cada pódio aumento a minha chance de realizar o meu sonho de ir à Olimpíada", disse a judoca, que teve suas lutas em destaque na cobertura de uma equipe de TV do Piauí.

A brasileira tem um fã-clube em Teresina e até arriscou a música feita com carinho por um médico. "Sarah, Sarah, Teresina! Sarah, Sarah, Cajuína! Viva a força e a beleza da mulher nordestina", divertiu-se a atleta, de 21 anos, que deve assumir o terceiro lugar no ranking mundial.

Mais feliz que Sarah, só a técnica Rosicléia Campos. "Ganhar uma medalha dentro de Paris e contra uma francesa não tem preço." A brasileira obteve dificílima vitória sobre a espanhola Olana Blanco na primeira luta. Após empate com um youko cada, o duelo caminhava para o golden score, quando a brasileira conseguiu o golpe definitivo no segundo final. Um belíssimo kata otoshi, que fez a judoca da Espanha viajar pelo Palais Omnisport.

A segunda luta também foi terrível para Sarah. A coreana Seung-Min Shin esteve agressiva desde o começo, mas acabou surpreendida pela brasileira, que conseguiu um técnico contra-golpe com tani otoshi, obtendo o ippon. O duelo estava empatado com um yuko para cada.

Na luta seguinte, com 18 segundos, Sarah despachou a húngara Eva Csernoviczki. Na semifinal, não esteve tão concentrada e perdeu rápido para a japonesa Haruna Asami em 1min14.

A disputa do bronze foi com a francesa Frederique Jossinet, que veio da repescagem e é a atual vice-campeã olímpica e quatro vezes medalhista em mundiais. Sarah venceu por ippon, a 50 segundos do final.

A vida de Leandro Cunha também não foi nada fácil. Começou vencendo o armênio Armen Nazaryan, com dois yukos (com uchi mata e punição) nos cinco minutos de luta. Diante do georgiano Shalva Kardava, teve paciência para esperar o melhor momento para encaixar um bonito seoi nague, aos 2min35. Contra o coreano Jeong-Hwan An, mais uma difícil luta. A vitória só veio no golden score, após cinco minutos de combate. O brasileiro conseguiu uma vaga nas quartas com um yuko. Frente ao britânico Colin Oates, o primeiro ippon. E veio com 1min14.

Na semifinal, mais um duro combate e vitória sobre o esloveno Rok Draksic por shido (duas punições, que valeram um ponto). Na decisão do ouro, com o japonês Masashi Ebimuna, o brasileiro levou um uchi mata a 1min39 de combate.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.