Brasil faz acordo pensando em 2012

O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e o Comitê Olímpico dos Estados Unidos (USOC) assinaram, hoje, em um hotel na zona sul do Rio, um convênio inédito para promover e desenvolver o esporte entre os dois países, sem esconder que interesses políticos nortearam as negociações. Os norte-americanos desejam demonstrar benevolência com o restante da América, para que o continente desbanque os europeus como revelador de atletas olímpicos. E os brasileiros pretendem obter o apoio dos EUA para sediar grandes eventos, como o Pan-Americano de 2007 e a Olimpíada de 2012. No total, 18 modalidades terão intercâmbio entre os dois países. "É uma grande parceira e deve ser festejada. Tem seu aspecto político, pois com o apoio dos Estados Unidos teremos mais facilidades em promover competições internacionais", disse o Ministro do Esporte e Turismo, Carlos Melles. Ele revelou que está em negociações com os governos espanhol e australiano para assinatura de outros convênios. Melles enfatizou que tudo está sendo feito e planejado para que o Brasil tenha o reconhecimento político e esportivo em sua tentativa de promover grandes eventos, o que é uma de suas preocupações à frente do ministério. Reconheceu que o valor destinado ao esporte brasileiro é "vergonhoso", mas considerou que está trabalhando para aumentá-lo. Ele informou que já dispõe de 10% da verba que planejou, este ano, para o esporte: de R$ 150 milhões a 200 milhões. Já a presidente do USOC, Sandra Baldwin, disse acreditar no potencial dos atletas brasileiros e em que a parceria poderá ajudar os dois países. "Não estou criticando nossos amigos europeus, mas eles costumam falar que são o movimento olímpico. Vamos tentar mostrar que temos nossas potencialidades." A parceria celebrada entre o COB e o USOC termina no dia 31 de dezembro, e pode ser renovada por quatro anos. Treinamentos de equipes e atletas; desenvolvimento profissional, marketing, mídia e TV; controle de doping; e cursos de capacitação de treinadores são alguns dos ítens previstos pelo intercâmbio. As modalidades a serem beneficiadas são: atletismo, natação, boxe, luta romana, levantamento de peso, futebol, vôlei, tiro com arco, remo, canoagem/caiaque, ciclismo, beisebol, ginástica artística, nado sincronizado, saltos ornamentais, softbol, triathlon e iatismo. Destaque negativo: a ausência do basquete, a principal modalidade esportiva americana. Motovelocidade - Várias autoridades do meio político e esportivo estiveram presentes aos evento. Dentre elas, o secretário municipal de Esporte e Lazer, Ruy Cezar, que informou ter feito uma proposta para manter no Rio o Grande Prêmio de Motovelocidade, previsto para novembro. "Os organizadores do evento me pediram 4,2 milhões. Ofereci US$ 2 milhões e toda infra-estrutura. Aguardo uma resposta até a primeira quinzena de junho."

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