Brasil fica sem medalha no basquete

O Brasil perdeu a medalha de bronze para a Rússia, na decisão do torneio feminino de basquete dos Jogos de Atenas, fechando uma campanha irregular, em que a seleção raramente atuou com eficiência em todos os fundamentos, principalmente o arremesso, algo que sempre caracterizou a escola brasileira. Hoje, no Ginásio Olímpico, o Brasil ainda equilibrou o jogo até o terceiro quarto, chegando a abrir vantagens por 20/15, no início, e 46 a 41 no segundo tempo. Mas não jogou bem no último período e a Rússia, muito mais consistente nos rebotes (41 a 28), ficou com o bronze, ao vencer por 71 a 62 (32 a 32). Os Estados Unidos e as jogadoras da WNBA ganharam a medalha de ouro com uma vitória contra a Austrália por 74 a 63. O técnico Antônio Carlos Barbosa tentou valorizar o quatro lugar dizendo que não foi nenhuma "ecatombe". "O que seria então do basquete da Espanha e da República Checa. O Brasil está entre os quatro melhores e isso não é nenhuma desgraça. Temos de continuar o trabalho." Apesar de valorizar o quarto lugar no ranking, o basquete poderá passar por mudanças, com a saída de algumas jogadoras importantes e que dificilmente chegam à próxima Olimpíada, como Janeth, Helen e Alessandra, e do próprio técnico. A tendência é que Barbosa assuma o cargo de supervisor das equipes femininas e Paulo Bassul, atualmente auxiliar-técnico, o comando direto da seleção. Mas o presidente da Confederação Brasileira de Basquete, Gerasime Grego Bozikis, afirma que essa é uma decisão que não será tomada agora e não depende de uma grande derrota ou uma grande vitória. Sua preocupação é que o Brasil tenha uma boas participação no Mundial de 2006, que será no Brasil. Janeth, que disputou todas as Olimpíadas com a seleção brasileira, desde 1992, em quatro edições, disse que não sabe ainda se disputa o Mundial. "São dois anos, fica difícil prever algo tão para a frente. Espero estar na seleção até a hora que eu não aguentar mais." Janeth decidiu não atuar no Houston Comets, da WNBA. Disse não ao convite, alegando que precisa descansar e que não gostaria de ser encarada como a salvadora da equipe que está em sexto lugar no torneio faltando oito rodadas para o fim. Vai jogar o Campeonato Brasileiro - tem convites de Ourinhos e Americana. "Não conseguimos mudar a nossa posição, que é a quarta do mundo." A armadora Adrianinha deixou a quadra chorando e ainda tentando entender o que aconteceu na partida. "Um jogo são 40 minutos. Deu para jogar bem três tempos e um não. Infelizmente nós perdemos, uma tristeza muito grande nessa hora." Afirmou que o basquete feminino está bem equilibrado em todo o mundo e que o Brasil terá de analisar o que ocorreu durante a campanha olímpica e trabalhar para melhorar. "O trabalho tem de ser reavaliado, ver se falta o Brasil jogar mais internacionalmente, o que está faltando porque se nós não chegamos é porque está faltando alguma coisa ainda", disse Adrianinha que tem contrato com a Faenza, da Itália, para onde vai, após um breve descanso no Brasil. Mais da metade do time tem contrato no exterior e, segundo Adrianinha, isso mostra o valor da jogadora brasileira. "Só no campeonato italiano são seis as jogadoras brasileiras. Só fico triste porque era a minha segunda Olimpíada, não sei se terei outra, queria deixar Atenas com uma medalha." Segundo Barbosa mostra também o quanto o Brasil trabalha com dificuldade. "São seis equipes e ainda catadas no Brasil", afirma Janeth. A pívô Alessandra, que jogou bem durante toda a campanha do Brasil em Atenas, deixou a quadra chorando, mas ressaltando que é momento de reflexão para o basquete feminino. "O problema não foi a nossa preparação, o problema não é só a seleção adulta. Por que a seleção masculina não está aqui?" Alessandra, que joga no exterior há seis temporadas, afirma que não houve pressão no feminino e nem cobrança, mas a questão é analisar a modalidade. "Minha frustração é não sair daqui com uma medalha."

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