Brasil foi bem no Mundial da Jamaica

Os brasileiros não esperaram chegar o último dia do Mundial Juvenil de Atletismo, encerrado neste domingo, no Estádio Nacional de Kingston, para comemorar "o melhor mundial já disputado até hoje na história de nove edições", como define João Paulo Alves da Cunha, o treinador-chefe da equipe de 28 atletas que competiu no calor da Jamaica por seis dias.O Brasil entrou na pista para o último dia de competições na 9.ª colocação entre 160 países, com duas medalhas de bronze - de Keila da Silva Costa, no salto triplo, e Juliana Paula Santos de Azevedo, nos 800 m -, um quarto lugar, três quintos, e atletas colocados entre os oito melhores do mundo em dez provas diferentes.Além de várias melhores marcas pessoais e o recorde sul-americano no revezamento 4 x 100 metros, quebrado na semifinal desábado, com 39s75. Um erro na passagem do bastão tirou o 4 x 400 metros da final. "O melhor é sabermos que a base da pirâmide, que dá sustentação para o desenvolvimento da modalidade está cada vez maiscompleta", afirma João Paulo, dizendo que a evolução começou a partir de 1999, quando a Comissão Técnica da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) decidiu "apertar" os índices para o Mundial. "A partir daí nossas seleções foram superiores."Juliana, fã do campeão olímpico na sua prova, Joaquim Cruz, que ficou com a medalha de bronze nos 800 m, chegou a ser ´vítima´ dos índices rigorosos. "No Mundial da Polônia, em 99, o índice era 2min10 e eu fiz 2min09. Fiquei fora por centésimos de segundos novamente em 2000 e 2001, quando decidi que iria fazer o índice e vir para esse Mundial. Trabalhei muito", comenta.Além do trabalho duro dos atletas, do elevado nível dos índices, a ajuda dos patrocínios tem sido fundamental para o desenvolvimento do esporte e dos atletas - muito deles mantendo-se nos seus Estados de origem. A maioria recebe, doprograma da CBAt, mantido pela Caixa Econômica Federal, bolsas de R$ 600,00 por mês, mais ajuda dos clubes e de outros programas, como o da Fiat, para recordistas brasileiros em todas as categorias, com bolsas de R$ 500,00 por mês. Os atletas também têm a certeza de que fazendo o índice irão ao Mundial - a CBAt paga as campanhas das seleções. Felicíssimo com a campanha, o presidente da CBAt, Roberto Gesta de Mello, disse que o trabalho mostrado pelo desempenho do Brasil juvenil mereceu elogios do campeão olímpico, ex-corredor, Donovan Bailey, que veio ao Mundial.Os melhores desempenhos, por equipes no Mundial Juvenil, foram de países como os Estados Unidos, China, Jamaica, Rússia, Alemanha e Quênia, pela ordem. O destaque individual foi Usain Bolt, o ´Thunder´ Bolt (?O Raio?, no trocadilho em inglês), um menino de 15 anos em um torneio para atletas de até 19 anos - é a esperança de continuidade para a dinastia jamaicana de velocistas. Bolt levou o Estádio Nacional de Kigston ao delírio ao vencer, com um sprint incrível, os 400 metros (20s61). Bolt ainda tem mais dois Mundiais Juvenis para mostrar se pode ser o novo Michael Johnson (o norte-americano recordista mundial da distância) das pistas.

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