Brasil inicia árdua luta por vaga em Guadalajara

Para se garantir no Pan, seleção tem de chegar às semifinais no Torneio Sul-Americano de[br]Bento Gonçalves (RS)

Valéria Zukeran, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2011 | 00h00

O rúgbi do Brasil luta para dar um passo importante rumo à crescente profissionalização. O time disputa, a partir de hoje, uma vaga nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara por meio do Campeonato Sul-Americano, em Bento Gonçalves (RS). O resultado pode dar sequência ao clima de lua de mel vivido pelo esporte desde o anúncio da modalidade com sete atletas (seven) como olímpica em 2009.

A meta do Brasil é atingir as semifinais, feito que deverá ser suficiente para garantir a vaga na competição mexicana. Argentina, Uruguai e Chile já estão classificados pelo desempenho no Mundial do ano passado.

O Brasil está no Grupo A, com Argentina, Paraguai e Peru. Chile, Uruguai, Colômbia e Venezuela formam o Grupo B. Os times jogam dentro da chave e os dois melhores vão às semifinais, que definirão os dois finalistas.

O rúgbi tem mostrado agilidade em captar recursos e tenta se popularizar nacionalmente desde a inclusão olímpica. A Confederação Brasileira (CBRu) passa a receber, a partir deste ano, verbas do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e, além disso, a seleção ganhou o patrocínio de um grande banco e ainda conta com o apoio de uma fornecedora de material esportivo, o que permitiu um maior número de viagens para eventos internacionais.

Somado a isso, a CBRu tem investido desde o ano passado na divulgação na imprensa de suas competições. As duas principais emissoras de esporte na TV a cabo, ESPN e Sportv, vão transmitir eventos. A primeira vai mostrar as principais competições internacionais, disputadas com 15 atletas, enquanto a segunda exibirá o Sul-Americano.

"Acredito que o rúgbi tem tudo para cair no gosto do brasileiro. As regras são de fácil compreensão, pois têm algumas similaridades com o futebol, e nossos atletas, por serem muito técnicos, se adaptam com facilidade", diz o supervisor da CBRu, Antônio Martoni. "Outra coisa positiva é o fato de que o esporte abrange todos os biotipos: do magrinho ao gordinho, do alto ao baixo, todos podem jogar rúgbi, pois poderão ser aproveitados em diferentes posições."

Porém, para que o rúgbi chegue ao nível de outros esportes coletivos ainda é preciso trabalho. Aproximadamente 50% dos atletas das principais ligas se dedicam a outras atividades para sobreviver, enquanto os jogadores em atividade do País reclamam que o número de jogos aqui é muito menor do que nas potências (África do Sul, Nova Zelândia, França e Grã-Bretanha).

Erick Monfrinatt, que é engenheiro, conta que poucos vivem do rúgbi. "A maioria que consegue isso é porque, além de atleta, também dá aulas nas categorias de base nos clubes ou tem algum negócio relativo ao esporte, como lojas", conta. "Os outros são profissionais liberais."

Monfrinatt conta que os compromissos profissionais o impediram de participar de toda a preparação do Brasil para o Sul-Americano. "O time está concentrado desde agosto, mas passei a integrar o grupo só em novembro, depois de trocar de emprego. Onde trabalhava, em uma fábrica automotiva, não dava para conciliar." O sonho do jogador é poder viver só do esporte. "Já tive esse gostinho quando fui semiprofissional na Itália. As cobranças aumentam, porém, é uma conta que gostaria de pagar."

Fernando Portugal é o principal jogador da seleção e está otimista. "Com mais verbas, pudemos nos preparar melhor e disputar três competições internacionais antes do Sul-Americano. Isso é importante porque acho que a maior dificuldade do brasileiro é o preparo emocional: se concentrar mais e estar mais habituado a agir de acordo com as situações de jogo."

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