Brasil já tem 21 nadadores no Mundial

Os nadadores brasileiros provaram, durante a primeira etapa da Copa do Mundo de Natação, em piscina curta, no Parque Aquático Júlio Delamare, no Rio, que o futuro é promissor e talentos não vão faltar. Mas, para que esses atletas não fiquem apenas na promessa, é necessário investimento e apoio, os maiores obstáculos para o desenvolvimento do esporte no País. Um dos principais nadadores da atualidade, o russo Roman Sloudnov, primeiro homem a nadar abaixo de um minuto os 100m, peito, além de ser o recordista, campeão mundial e olímpico da prova, fez um alerta para que a euforia dos brasileiros não esconda os problemas, ao elogiar o desempenho de Eduardo Fischer na modalidade. "Os tempos dele estão bons para o Brasil. No circuito europeu isso não significaria nada. Ele precisa dar seqüência aos treinamentos." O nadador russo deu um show na final dos 100m, peito, neste domingo, e ganhou a medalha de ouro com a marca de 58s79. Segundo Sloudnov, sua intenção era a de superar o recorde europeu, 58s51. Ele frisou ainda que também deseja ser o recordista mundial em piscina curta (a melhor marca pertence ao americano Ed Moses, 57s66, desde março de 2000). Depois de conseguir o índice para a disputa dos 200m, borboleta, nas eliminatórias da prova, o jovem brasileiro Kaio Márcio, de 17 anos, ficou com a segunda colocação (53s66) na final deste domingo. Já a pernambucana Joana Maranhão, de apenas 14 anos, pode ser apontada como a grande revelação do evento, ao conquistar a medalha de bronze nos 400m, medley, com a marca de 4m49s47. A experiência também foi destaque nas finais deste domingo, com o bom desempenho de Rogério Romero, que aos 32 anos venceu os 50m, costas (1m56s16), e obteve o índice para ir a Moscou, no seu 6º Mundial em piscina curta. "O segredo é treinar muito, principalmente, porque vejo uma ameaça grande nesta geração de nadadores que está despontando no Brasil." O segundo lugar de Gustavo Borges nos 200m, livre, com o tempo de 1m46s48, também o classificou para a disputa do Mundial de Moscou. Ele já havia conseguido índice para os 100m, livre. O canadense Richard Say (1m45s84) ficou com a medalha de ouro nessa prova e o americano Scott Tucker (1m47s56) foi bronze. A prova mais esperada do dia, os 50m, livre, rendeu mais dois índices para os nadadores brasileiros irem à Rússia, com Rafael de Thuim, em segundo lugar (22s10), e Nicholas dos Santos, em terceiro (22s13). O argentino José Meolans, com 21s91, foi o vencedor. Thuim inovou na disputa dos 50m, livre, ao iniciar a prova nadando estilo borboleta e terminá-la no craw, com o objetivo de ser mais rápido do que os outros. "Acho que fui o primeiro no mundo a fazer isto. Consultei os juízes se podia e eles me disseram que se o estilo era livre, tudo bem", festejou o nadador. A nadadora sueca Joahanna Sjoberg, que conquistou quatro medalhas de ouro e ganhou o título de melhor índice técnico da Copa do Mundo, foi o principal destaque feminino da competição. A argentina Georgina Bardach venceu a disputa nos 400m, medley, com o tempo de 4m41s09, e estabeleceu o novo recorde sul-americano. O destaque negativo para a organização brasileira da Copa do Mundo foi a queda de um guarda-sol na piscina, durante a disputa da prova de 1500m, livre. O acidente só não causou danos maiores, como a interrupção da competição, porque o nadador Rafael Thuim pulou n?água e retirou o objeto antes que ele atrapalhasse algum atleta. Esperança - Depois de vários projetos de auxílio para os nadadores brasileiros, que não saíram do papel por falta de recursos, o presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Coaracy Nunes, reconheceu que a única saída para a natação está na Lei Piva (que destina 2% do montante líquido dos prêmios das loterias para o desenvolvimento do esporte olímpico). A expectativa do dirigente é os recursos sejam distribuídos a partir de janeiro. A primeira parte da verba, prometeu ele, será aplicada em um programa de apoio aos 30 principais nadadores brasileiros. No quadro geral de medalhas da Copa do Mundo, o Brasil terminou em quarto lugar, com quatro medalhas de ouro, dez de prata e 19 de bronze, totalizando 33. Os Estados Unidos terminaram em primeiro, com um total de 11 medalhas, sendo seis de ouro, duas de prata e três de bronze. Em segundo, ficou a Suécia com seis medalhas de ouro, uma de prata. Seguida pela Canadá com cinco de ouro, além de duas de prata e bronze, totalizando nove. Depois da primeira etapa da Copa do Mundo, o Brasil contabilizou 21 nadadores classificados para o Mundial de Moscou, distribuídos por 15 provas. São eles: Gustavo Borges, nos 100 e 200m, livre; Eduardo Fischer, 50 e 100m, peito; Kaio Márcio e Pedro Monteiro, 200m, borboleta; Nayara Ribeiro, 800m, livre; Nicholas dos Santos e Raphael Thuin, 50m, borboleta e livre; Marcelo Tomazini, 200m, peito; Rogério Romero, 200m, costas; e Rebeca Gusmão e Flávia Delaroli, 50m, livre. Além das provas individuais, estão garantidos os revezamentos 4x100m, livre, masculino (Gustavo Borges, Fernando Scherer, André Cordeiro e Nicholas dos Santos); 4x100m, medley (Costas - Cleber Costa; Peito - Eduardo Fischer; Borboleta - Kaio Márcio e Livre - Gustavo Borges); 4x200m, livre, masculino (Gustavo Borges, Bruno Bonfim, Clayton Vojevodovas e Alexandre Andrade); e 4x200m, livre, feminino (Monique Ferreira, Tatiana Lemos, Paula Brochado e Denise Oliveira).

Agencia Estado,

18 Novembro 2001 | 17h07

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