Brasil mantém a sua hegemonia

Gol de Neto no fim da prorrogação garantiu a vitória por 3 a 2 sobre a Espanha e o quinto título mundial

BANGCOC, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2012 | 02h05

A Fifa mandou e a Confederação Brasileira de Futsal, mesmo a contragosto, retirou duas estrelas de sua camisa no início do Mundial da Tailândia. Mas já recuperou uma. A Espanha pode até ser hoje chamada de o país do futebol, mas o Brasil, se é que serve de consolo, confirmou que é mesmo o país do futsal e conquistou ontem seu quinto título - o segundo seguido. A Espanha tem dois.

O império espanhol, fundado numa base tática requintada e em fina técnica, ruiu. Foi a primeira derrota em sete anos. A queda veio na 109.ª partida. Neto fez o gol da vitória por 3 a 2 a 19 segundos do final da prorrogação. O fixo descolou um espaço num cantinho da quadra, pela esquerda, que o quase perfeito sistema de marcação não pôde cobrir. Ele livrou espaço, bateu seco e cravou uma estaca profunda no orgulho espanhol.

"Tivemos de lutar até o fim. Acreditamos em nós inclusive quando a Espanha fez os gols. Acho que, neste sentido, o jogo contra a Argentina nos ofereceu uma boa lição. Nunca deixei de confiar na capacidade dos meus jogadores", disse o técnico Marcos Sorato, o Pipoca.

O duelo. A Espanha iniciou o jogo com autoridade. O Brasil tocava, tocava e, sem encontrar brecha, recuava na tentativa de vislumbrar alguma fissura no bloqueio vermelho. O pecado da Espanha foi a ineficácia do sistema ofensivo - às vezes faltava um passe ou um chute certeiro.

Aliviado por chegar ao intervalo sem tomar gol, o Brasil voltou a campo mais confiante. E tinha motivo: faltavam apenas 20 minutos de batalha e Falcão havia guardado energias, sentado no banco durante a primeira etapa. Aos 35 anos, fora de forma e com dificuldades para enxergar por causa de uma paralisia facial no lado direito, o ala sacou o colete de reserva e entrou com a missão de tirar de seu repertório alguma jogada capaz de abrir o placar.

Aos cinco minutos, o gol saiu. Rato fez o que se espera de um jogador com o seu apelido: foi rápido numa cobrança de escanteio, Neto aproveitou e demonstrou a importância que um chute forte ainda preserva num futsal travado por sistemas táticos cada vez mais aprimorados: 1 a 0.

Golpeada, a Espanha teve de se abrir, e a partida ficou bem mais arejada e agradável. O Brasil criou chances para ampliar, mas não o fez e foi castigado. Miguelín bateu forte uma falta frontal, Tiago deu rebote e Torras igualou o placar, aos dez minutos. Um minuto depois, os espanhóis viraram em jogada similar à que resultara no gol de Neto: Aicardo emendou cobrança de escanteio e Tiago foi traído por um desvio de Fernandinho.

Era possível enxergar o pânico no rosto dos brasileiros. No de Falcão, metade continuou assim, e a outra explodiu em vibração com o empate. O Brasil fez uso do artifício do goleiro-linha, o espaço surgiu e o ala acertou um tirombaço a quatro minutos do final do tempo regulamentar .

A prorrogação foi sofrida e palpitante, mas Neto deu fim à agonia com seu chute calibrado.

O técnico espanhol Venancio López insinuou que sua equipe pagou caro por ter se arriscado na tentativa de evitar outra decisão por pênaltis - foi assim que sucumbiram em 2008. Os campeões europeus amargaram o segundo vice-campeonato seguido, mas não serão acusados de covardia. "Arriscamos e arcamos com o peso de tentar construir o jogo. Merecíamos outro resultado, mas esporte é assim."

Falcão não levou prêmio individual desta vez. O de artilheiro coube a Eder Lima, brasileiro que defende a Rússia, autor de nove gols. Neto recebeu a Bola de Ouro, reservada ao melhor jogador. Mas o craque não reclamou. "Meu maior prêmio é poder participar deste momento. Estava fora, achei que não estaria aqui. Cada equipe tinha 50% de chances e o título veio para nós. Esse é o maior prêmio."

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