Brasil prepara base forte para 2016

Jovens talentos fazem bonito na Copa América sub-18 e reacendem o sonho de ouro olímpico para a modalidade

Amanda Romanelli, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2010 | 00h00

Enquanto torcedores de todo o Brasil sofriam com a campanha da seleção de Dunga na África do Sul, jovens atletas levavam o nome do País para o pódio. É verdade que o vice-campeonato das equipes feminina e masculina de basquete na Copa América sub-18, nos EUA, com a melhor campanha do País na história do torneio, assim como a classificação dos dois times para o Mundial sub-19 de 2011, passaram despercebidas. Mas nomes como os dos pivôs Damiris e Lucas Bebê e dos armadores Tássia e Raulzinho já chamam atenção daqueles que acompanham a modalidade.

No momento que o basquete brasileiro inicia um processo de retomada, a campanha das duas seleções aparece como alento, quase como um aviso de que há, sim, qualidade nas categorias de base ? basta saber aproveitar tais talentos. São meninos e meninas de 17 e 18 anos, que devem estar no auge de suas carreiras em 2016, quando o Rio receberá a Olimpíada.

"Eu vejo uma projeção muito grande para o futuro do nosso basquete", afirma, otimista, Janeth. A ex-jogadora é, desde o ano passado, técnica das seleções sub-15/sub-16. Ela também é uma das assistentes do espanhol Carlos Colinas na equipe adulta, juntamente com Luiz Cláudio Tarallo, que comandou as garotas no torneio de Colorado Springs, entre 23 e 27 de junho. "Ficamos paradas no tempo e, com um pouquinho de planejamento, os resultados já apareceram."

A preparação, aliás, é apontada como o diferencial da campanha brasileira para ambas as seleções. A armadora Tássia, de 18 anos e 1,80 m, destaca o período de treinos, que começou em fevereiro, passou pela conquista invicta do ouro nos Jogos Sul-Americanos de Medellín, na Colômbia, e por uma temporada em Las Vegas, num centro de treinamento usado por atletas da NBA. A etapa final dos trabalhos ocorreu em Jundiaí, no interior paulista.

"Também fizemos muitos amistosos. Ganhamos experiência para chegar bem na Copa América e conseguir o primeiro objetivo, que era a vaga no Mundial (que será disputado no Chile). Ir à decisão foi uma consequência", conta a armadora, que assim como a pivô Damiris, de 17 anos, foram integradas à seleção adulta, que treina em Barueri para o Sul-Americano do Chile, marcado para o mês que vem, e para o Mundial da República Checa, no mês de setembro.

Apesar da prata, houve um certo incômodo com o placar da final. A seleção perdeu para as americanas com uma diferença de 43 pontos: 81 a 38. "Chegamos cansadas porque passamos por Argentina e Canadá, na semifinal, com uma diferença muito pequena", lembra Tássia. "A gente tinha noção de que seria mais ou menos assim, mas agora já trabalhamos para que isso não aconteça no Mundial."

Quase lá. Os rapazes, porém, chegaram muito perto do ouro, em uma campanha surpreendente. Na final da Copa América, dia 30 de junho, em San Antonio, dominaram a seleção americana e chegaram a liderar o placar por 9 pontos de diferença. O jogo ficou empatado até os segundos finais, quando os Estados Unidos ? que tiveram boa ajuda da arbitragem na partida ? decretaram a derrota por 81 a 78.

Com 22 pontos e 14 rebotes, o pivô Lucas Bebê, de 18 anos e 2,12 m, fez um duplo-duplo (expressão usada quando o jogador consegue passar a marca dos dois dígitos em quaisquer fundamentos durante a partida). Outro destaque foi Raulzinho, que já integra o elenco adulto do Minas e também participou de treinos com a seleção adulta de Rubén Magnano, embora não tenha sido selecionado para a equipe que vai ao Sul-Americano da Colômbia, no fim do mês.

Liderados por Walter Roese, técnico com extensa carreira no basquete universitário norte-americano (é assistente da Universidade do Havaí), os meninos tiveram um início de preparação com resultados muito ruins. Foram mal nos Jogos Sul-Americanos de Medellín e também perderam boa parte dos duelos na Alemanha. "Mas a reação eu devo, inteiramente, ao trabalho deles", garante Roese, que na última fase de treinos ficou com os garotos por quase um mês em São Sebastião do Paraíso, no interior de Minas Gerais. "O grupo amadureceu muito. São garotos talentosos e podem, sim, estar no Rio em 2016."

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