Brasil pronto para medalha no revezamento

O Brasil está bem preparado para correr o revezamento 4 x 100 m e ganhar uma medalha que ainda não tem, no Mundial de Paris. "Se o bastão ´correr certinho´ de mão em mão (no Mundial de 2001 foi derrubado, em uma passagem) temos chance de pódio, sim, mas não dá para dizer que vai ser fácil", resume André Domingos da Silva, que compõe o revezamento desde 1995. O Brasil tem medalhas de ouro conquistadas em Pan-Americanos e Ibero-Americanos e também já formou o pódio da prova em Olimpíadas (foi terceiro nos Jogos de Atlanta/1996, e segundo em Sydney/2000, com o seu melhor tempo, de 37s90). "Falta ir ao pódio em um Mundial", observa Cláudio Roberto Souza, que vai fechar a prova. O grupo será formado, pela ordem, por Vicente Lenílson, Edson Luciano Ribeiro, André Domingos e Cláudio (Jarbas Marcarenhas é o reserva). Se esse é um grupo com boas chances na prova, a equipe também fala em rivais igualmente bem preparados como Estados Unidos, Inglaterra, Jamaica e Trinidad e Tobago. As eliminatórias do revezamento 4 x 100 m serão amanhã, às 12h10, e as semifinais às 14h25 (horários de Brasília) no Stade de France. Confiança que saia o bom resultado que o Brasil está preparado para fazer, apesar da consciência de que em um Mundial não há facilidade. Esse foi o tom usado pelo técnico Jayme Neto Jr. na conversa com os seus atletas em Paris. Hoje, o grupo apenas descansou, enquanto o treinador dos Estados Unidos buscava uma forma de armar o time sem os principais velocistas - John Drumond, que se retirou da competição por causa de indisciplina, Tim Montgomery e Maurice Greene, por contusões. O grupo norte-americano, que era considerado imbatível, ficou enfraquecido, mas nem tanto. Vai correr confiando nos seus ´homens´ dos 200 metros, que hoje fizeram dobradinha no pódio da prova individual do Mundial, com John Capel (20s30), ganhando a medalha de ouro, e Davis Patton (20s31), a de prata. J.Joshua Johnson foi o sexto. Os EUA poderão ter de improvisar atletas de outras provas para as eliminatórias e semifinais do revezamento, como Terrence Tramell, que fará a final dos 110 metros com barreiras amanhã, e Dwight Phillips, do salto em distância. "Os outros podem não ter a mesma frieza ou experiência dos que saíram e nem correm abaixo de 10 segundos, como Greene e Montgomery, mas os Estados Unidos continuam tendo bons velocistas. Além disso, tem a Inglaterra, a Jamaica... Vamos esquecer os outros, a raia em que vamos correr e fazer o nosso melhor", afirma Edson Luciano que, juntamente com André Domingos, tem nove anos na equipe de revezamento - participaram de todas as conquistas do revezamento desde 1995, incluindo as medalhas olímpicas. André observa que o Brasil fez escola e que vem crescendo a preocupação com o revezamento por parte de outros países, como a Inglaterra, superada pelos brasileiros na Olimpíada de Sydney. "Sempre treinamos para o revezamento. Eles vinham, faziam uma passagem na véspera e corriam", observa André, dizendo que dessa vez viu a Jamaica e a Inglaterra treinando a semana toda. "Os ingleses chegaram a fazer um camping", observa Claudinho, que assumiu o lugar de Claudinei Quirino, no revezamento - é considerado um coringa pelo técnico Jayme Neto Jr., assim como Vicente Lenílson abre a prova por ter o melhor tempo de reação na largada, Edson é o segundo por correr muito bem lançado e André o terceiro por correr bem a curva... "Estamos em um torneio mais forte que a Olimpíada, com outros países treinados para o revezamento", acrescenta Lenílson. "O jeito vai ser fazermos a nossa parte."

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