Laszlo Balogh/Reuters
Laszlo Balogh/Reuters

Brasil recorre à 'força estrangeira' para a seleção de polo aquático

Para não fazer feio nos Jogos Olímpicos de 2016, seleção masculina pode ter base

Demétrio Vecchioli, O Estado de S. Paulo

13 de outubro de 2013 | 08h22

SÃO PAULO - Entre mudanças de nacionalidade esportiva e naturalizações por ''canetadas'', o Brasil pode disputar o torneio masculino de polo aquático dos Jogos do Rio com um time praticamente todo formado por atletas importados. Um sérvio, um croata, um italiano, dois espanhóis, um norte-americano e um cubano estão na lista de reforços da equipe do técnico sérvio Mirko Blazevic. Tudo para desenvolver a modalidade no País, que não vai a uma Olimpíada desde Los Angeles 1984.

Um reforço quase certo é Felipe Perrone, que defendeu o Brasil até 2004. Na época, ganhar dinheiro como jogador de polo aquático, o ''esporte secreto'', como chamam seus praticantes, era uma utopia. Por isso, o carioca aceitou o convite para defender a Espanha, país da avó, assim como já havia feito seu irmão Kiko.

A volta ao Brasil se deu para a Liga Nacional 2013, que pela primeira vez terá quatro meses - de setembro a dezembro. Presidido no Brasil pelo ex-jogador Zeca Oliveira, o banco BNY Mellon, patrocinador do Fluminense, ajudou o clube a contratar Felipe por três anos. E a utopia virou realidade. Hoje um dos melhores do mundo, ele é profissional de polo aquático.

Carismático, Felipe trouxe dois amigos na bagagem: o centro (pivô) croata Josip Vrlic e o goleiro sérvio Slobodan Soro, ganhador do bronze nas duas últimas Olimpíadas que agora quer viver no Brasil. ''São as posições mais carentes hoje no Brasil, que todo time precisa ter: um bom goleiro e um bom centro'', explica Felipe, que conversa com a CBDA em nome dos três. Vrlic mora no Rio há dois meses, avisou à federação croata que não tem mais interesse em jogar pelo país e o seu processo de naturalização está em andamento.

A CBDA faz lobby para contar com os ''novos brasileiros'' de qualquer maneira. ''Vamos tentar na canetada. Se for cumprir o trâmite normal, demora muito. Mas, como existiu uma predisposição do governo em ajudar, vamos ver'', diz Ricardo Cabral, coordenador de polo aquático da entidade.

DECISÃO ATÉ DEZEMBRO

Felipe e seus amigos colocam até dezembro como limite para decidir se jogarão pelo Brasil. Eles aguardam o projeto que lhes será apresentado. Ouvirão que a CBDA tentará com o Ministério do Esporte um convênio para fazer três estágios na Europa em 2014. ''Mas o grande projeto é de outubro de 2015 a maio de 2016 a seleção ficar morando na Sérvia e jogando a liga sérvia'', explica Cabral.

Outro grande nome do polo que está no País é Tony Azevedo, nascido no Brasil, mas criado nos Estados Unidos. Ele assinou recentemente com o Sesi-SP um contrato até o fim de 2014 para defender o clube (no qual os jogadores são profissionais e têm carteira assinada), ajudar no desenvolvimento do time e divulgar a modalidade nas escolas da rede pelo País.

Nas primeiras conversas com a CBDA, no entanto, Tony já deixou claro seu compromisso com os Estados Unidos. ''Jogar pelo Brasil ainda não está descartado'', afirma ele, porém. ''O Tony é ídolo nos Estados Unidos, mas quem sabe daqui a uns meses ele não tenha se apaixonado pelo Brasil e decida aceitar nossa oferta?'', fala Cabral.

Pietro Figlioli, que já defendeu a Austrália (onde cresceu) e entrou para a seleção ideal do Mundial 2013 pela Itália, também já conversou com a CBDA, mas é nome praticamente descartado. ''Ele se sente italiano''. Para mudar de nacionalidade esportiva, pelas regras da Fina, um jogador deve ficar dois anos sem defender outra seleção e ter residência fixa no novo país por um ano. Felipe e Tony jogaram o Mundial, mas não terão compromissos com Espanha e Estados Unidos em 2014.

A análise unânime, porém, é que a simples presença deles na Liga Nacional já mudou o polo brasileiro. "Só de treinar com o Tony todo dia, minha evolução já é muito maior", diz Grummy, 19 anos, que jogou com Felipe na Espanha e lidera a melhor geração da história recente da modalidade no País, tricampeã pan-americana júnior. "É um incentivo para treinar mais. Já que tem caras bons vindo para o Brasil, para você se manter na seleção você tem de estar melhor do que está hoje", comenta Gustavo Coutinho, 21 anos, artilheiro da Liga Nacional pelo Paulistano.

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