Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Brasil renova equipe de natação e mira bons resultados em Tóquio

Pan-Pacífico, competição que acontece também na capital japonesa, vai marcar nova fase da seleção e servirá para testes para os Jogos Olímpicos

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2018 | 05h00

A menos de dois anos dos Jogos de Tóquio, a seleção brasileira de natação dará início nesta quarta-feira a seus testes dentro e fora das piscinas para a Olimpíada. Com uma equipe renovada, disputa o Pan-Pacífico, competição mais importante da temporada e que tem como sede justamente a capital japonesa. O Brasil terá jovens apostas e nadadores mais experientes na tentativa de repetir o bom desempenho das últimas edições do torneio, realizado a cada quatro anos.

Dentro da piscina, o maior teste será para os atletas mais novos. Numa comparação com a edição de 2014, a média de idade do grupo de nadadores que defenderão o País é seis anos menor. “Muitos destes atletas estão se apresentando ao mundo pela primeira vez”, disse ao Estado o diretor-geral de esportes da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Renato Cordani.

É o caso de Pedro Spajari, que nadará os 50 m e os 100 m livre, além do revezamento 4x100 metros livre. Aos 21 anos, fará sua estreia pela seleção brasileira adulta num torneio desta importância, realizado em piscina de 50 metros. Outras apostas são Gabriel Santos, de 22 anos, Fernando Scheffer, de 20, e Vinícius Lanza, de 21 anos.

Eles vão dividir as atenções com “veteranos” como João Gomes Júnior, de 32 anos, e Marcelo Chierighini e Leonardo de Deus, ambos com 27. Nadadores como Cesar Cielo, Bruno Fratus, Nicholas Santos e Etiene Medeiros estão fora por opção ou questões físicas. 

Sem os mais experientes, a seleção entrou automaticamente num processo de renovação, que chegou a surpreender a CBDA. “Essa redução de média de idade é muito expressiva, não foi uma renovação lenta e gradual. Foi brusca. Será um grande teste para esse pessoal”, afirmou Cordani, também chefe da delegação em Tóquio.

O teste tem como objetivo, claro, a Olimpíada de 2020. “Nossa aposta para os Jogos Olímpicos é, sim, esta garotada. Mas também os mais experientes. E é bom que seja assim porque os mais velhos vão ter de continuar trabalhando para superar os que acabaram de chegar. É um duelo de gerações bem vivo, o que aumenta a competitividade da seleção.”

SEM META

Por conta da falta de experiência do time, a CBDA evita apontar uma meta de medalhas no Pan-Pacífico. O número reduzido de brasileiros em comparação às duas últimas edições do torneio também deixou a entidade mais cautelosa. Neste ano, a seleção terá apenas 16 atletas. Foram 19 há quatro anos e 44 em 2010.

“Imaginamos que todos têm chances de entrar em finais e brigar por medalhas. Não colocamos meta, mas existe um sentimento de que a equipe é forte o suficiente para buscar finais em todas as provas”, projetou Cordani.

Fora das piscinas, serão dois testes. O primeiro será enfrentado pela própria CBDA, cuja nova gestão terá pela frente sua primeira grande competição internacional. Para tanto, a gestão encabeçada por Miguel Cagnoni, empossada em junho do ano passado, terá a ajuda do Comitê Olímpico do Brasil (COB), que bancou a aclimatação da seleção na cidade de Sagamihara, a 70 km de Tóquio. 

O local sediará também a preparação do time brasileiro às vésperas da Olimpíada, em 2020. Por isso, o Pan-Pacífico é considerado o grande foco da seleção na temporada. “Vai ser uma simulação para os Jogos Olímpicos. Será bom para os nadadores se ambientarem tanto na cidade quanto na piscina. São muitas dificuldades: uma grande distância geográfica, 12 horas de fuso, limitações na comunicação. Queremos evitar o choque no momento mais importante, que é a Olimpíada”, explicou Cordani.

O Pan-Pacífico terá início na noite desta quarta-feira pelo horário de Brasília (manhã de quinta no Japão) e vai até terça. As eliminatórias das provas vão começar às 22 horas (de Brasília) e as finais estão marcadas para as 5h30.

TRÊS PERGUNTAS PARA...

Renato Cordani

Diretor-geral da CBDA

Por que a seleção contará com número reduzido de atletas na disputa do Pan-Pacífico?

Temos restrições orçamentárias por parte da CBDA. Mas não é essa a principal causa. Entendemos que o número de 16 para esta competição era o ideal para levar a melhor equipe possível, desde que houvesse boas chances. O que talvez tenha ficado faltando foi um pouco mais de gente para completar os revezamentos. 

 

A renovação rápida na equipe brasileira foi planejada?

Tivemos algumas ações que fortaleceram a natação júnior. Queríamos fortalecer esse grupo justamente para haver a renovação. Não sei se foi um acaso ou uma junção de fatores. O fato é que os nadadores de 19 e 20 anos superaram na seletiva os atletas que já estavam na natação. Essa renovação se deu em parte por estímulo nosso e em parte porque eles se superaram e alcançaram o lugar deles. 

 

Quais são as maiores apostas do Brasil para a competição?

As duas maiores provas que temos hoje são o revezamento 4x100 m livre e a prova de 100 m livre. Acho que teremos um excelente resultado se repetirmos as quatro medalhas que tivemos em 2014 com uma equipe mais jovem. Seria muito interessante.

 

 

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