Eddie Keogh/Reuters
Eddie Keogh/Reuters

Brasil se prepara para manter hegemonia no futebol de 5

Na Paralímpiada, seleção já tem três medalhas de ouro

Gustavo Zucchi - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

17 de agosto de 2016 | 10h00

Quem disse que o Brasil não tem nenhuma medalha de ouro no futebol? Se na Olimpíada ainda não vimos seleção em primeiro lugar, o mesmo não se pode dizer da Paralimpíada. No Futebol de 5, os brasileiros já conquistaram o ouro por três vezes, sendo a equipe mais vitoriosa da modalidade. E se entram como favoritos no Rio-2016 é muito por causa da preparação, que neste ciclo se tornou mais profissional e parecida com o que se vê em modalidades olímpicas.

Nos últimos quatro anos, o time comandado pelo técnico Fábio Vasconcelos se preparou de forma inédita com a contratação do fisiologista João Paulo Borin. Pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e com experiência no basquete, vôlei e futebol olímpico, a seleção passou a ter a ciência como aliada. Seu trabalho foi avaliar, monitorar e controlar o treinamento de forma integrada com o restante da comissão técnica. Avaliando cada atleta, segundo ele, é possível individualizar cada vez mais o trabalho, entendendo cada jogador e preparando trabalhos específicos para ele. 

Para o futebol, especificamente, a seleção tem optado pelas três habilidades necessárias ao jogo. A primeira, de reação, é dividida em dois ramos, já que o atleta cego tem de ouvir a bola e velocidade de aceleração. Para a primeira, os integrantes da seleção colocam a mão sobre um tablet e após um sinal sonoro precisam retirar o mais rápido possível. Para a segunda, se utiliza a fotocélula, também utilizada para determinar os vencedores da prova de velocidade na Olimpíada. Assim, eles se deslocam de 10m a 20m e tem sua velocidade cronometrada. A segunda habilidade seria a potência, com trabalhos musculares de saltos e anaeróbicos. Há ainda a resistência.

"A partir daí, neste contexto, montamos dois ciclos´de competição. O primeiro visou o Mundial do Japão. O segundo, a Paralimpíada do Rio. Dentro da faculdade de Educação Física (da Unicamp), temos uma série não só de equipamentos, mas também dentro desta estruturação de organizar o treinamento da equipe", explica o professo Borin.

Todo esse trabalho dá ao técnico Fábio Vasconcelos um controle especial sobre sua equipe, entendendo como cada atleta se comporta nos jogos e adaptando o treino de forma específica. Assim, é possível aproveitar o que o jogador brasileiro tem de melhor: a habilidade, maximizando a parte física para que se aguente a partida inteira. "As vezes tem jogador muito habilidoso, mas que na dividida caia muito. E não era para cavar a falta, era falta de força mesmo. Evoluímos muito nessa parte. A seleção hoje é outra. Eles dão uma base muito boa para que eu faça o treinamento no dia a dia", comemora Vasconcelos.

Quem elogia também o trabalho do ciclo paralímpico é um dos principais jogadores da seleção, Gledson Barros: "Este ciclo foi importante para a gente, esses recursos tecnológicos, foram importante para conseguir dados, que a gente possa conseguir metas. Senti essa evolução. Particularmente esse é meu melhor ano", afirma o jogador.

"Esses números são fundamentais, sem eles eu não conseguiria trabalhar. Temos parâmetros dentro do jogo que nos avalizam o que vamos fazer fora. Esses dados dão subsídio não só para mim, mas para a nutricionista (Vivian Paranhos, também contratada para este ciclo paralímpico), para o preparador físico (Luís Felipe Campos), para que eles possam trabalhar em cima das necessidades de cada um", completa Borin.

Quem quiser conferir se o trabalho deu certo pode aproveitar e assistir aos jogos da primeira fase do torneio. o Brasil estreia no dia 9 de setembro, contra o Marrocos e ainda irá enfrentar Turquia e Irã. Todas as partidas da primeira fase terão ingressos custando entre R$30 e R$50. 

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