Brasil sem brilho no último ensaio

Seleção joga para o gasto no amistoso diante da fraca Grã-Bretanha, vence sem esforço por 2 a 0 e recebe aplausos dos ingleses em Middlesbrough

MATEUS SILVA ALVES, ENVIADO ESPECIAL, MIDDLESBROUGH, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2012 | 03h04

A seleção brasileira foi preguiçosa até não mais poder, mas assim mesmo jogou o suficiente para vencer a Grã-Bretanha por 2 a 0 em um amistoso que fez os bocejos se multiplicarem no Estádio Riverside, casa do Middlesbrough. O time dirigido por Mano Menezes marcou dois gols no primeiro tempo, o que lhe bastou para garantir o triunfo, e depois apenas se poupou.

A receita de Mano para a seleção é bem clara: assim que o juiz dá início à partida, os jogadores de frente começam a pressionar os defensores adversários para roubar a bola perto do gol. É evidente que isso também aconteceu ontem, mas por pouco tempo. Muito menos do que nas partidas da excursão pela Alemanha e pelos Estados Unidos, por exemplo. Basicamente, por dois motivos: a seleção não estava disposta a se desgastar demais a menos de uma semana da estreia na Olimpíada e, principalmente, a diferença técnica entre as duas equipes saltava aos olhos.

O time britânico, que não se reunia desde o começo da década de 70, fez de tudo para impressionar sua torcida, que não lotou o estádio do Middlesbrough, mas só vontade não bastou. As limitações da equipe eram tão evidentes que seus jogadores de ataque eram facilmente desarmados pelos zagueiros do Brasil. Só quando o veterano Giggs tocava na bola alguma coisa acontecia, especialmente em cobranças de falta e de escanteio. Ainda assim, era muito pouco.

Aos brasileiros, restava apenas esperar os adversários tentarem atacar para roubar a bola e se divertir. Neymar, logo no comecinho do jogo, saiu cara a cara com o goleiro Steele e chutou para fora. Pouco depois, o craque cobrou uma falta para a área britânica, a defesa da casa dormiu e Sandro marcou de cabeça.

Já que o "Team GB" não empolgava seus torcedores, a maior diversão dos ingleses era vaiar Neymar. Na Inglaterra, o maior pecado que um jogador de futebol pode cometer é tentar cavar uma falta e, como esse é o passatempo preferido do santista, ele foi impiedosamente vaiado. Mesmo assim, teve personalidade para cobrar muito bem um pênalti sofrido por Hulk e aumentar a vantagem da seleção.

A equipe da casa fez quatro substituições no intervalo e isso deixou de vez o jogo com cara de treino. A seleção nem disfarçava mais. Quando atacava, seus jogadores apenas trocavam passes, sem nenhuma vontade de fazer mais gols. A ideia era esperar o tempo passar e terminar o amistoso sem nenhuma lesão.

Ao menos a segunda parte do jogo serviu para Rafael Cabral trabalhar um pouco. Foi uma vez só, mas ele foi muito bem. Cleverley recebeu um cruzamento da esquerda, chutou da pequena área e já se preparava para comemorar o gol quando o goleiro do Santos fez a defesa.

Mais tarde, Ganso, Lucas e Pato, os três reservas mais badalados da seleção, tiveram alguns minutos para impressionar Mano Menezes, mas a preguiça da equipe era tamanha que ficou difícil mostrar alguma coisa.

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