Fellipe Chargel/CBDU/Be Nice Films
Delegação brasileira na Universíade Fellipe Chargel/CBDU/Be Nice Films

Brasil tem 19 atletas que estiveram nos Jogos do Rio na Universíade

O País será representado por uma delegação de 300 pessoas no total

Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

19 de agosto de 2017 | 07h02

Um ano depois da Olimpíada, 19 atletas brasileiros que estiveram nos Jogos do Rio-2016 voltam a representar o País em uma disputa entre nações, mas agora em uma competição restrita a atletas universitários. Até o próximo dia 30, Taipei (Taiwan) recebe a 29ª edição dos Jogos Olímpicos Universitários, que reunirá atletas de 170 países. O Brasil será representado por uma delegação de 300 pessoas.

A ida da equipe brasileira à Universíade, como também é conhecida a competição, é bancada pelo Ministério do Esporte, que investiu R$ 6,1 milhões em recursos públicos. O montante está sendo utilizado para bancar gastos com passagens e hospedagem dos atletas e da comissão técnica, além de custos como taxas de inscrição, seguro viagem, alimentação e uniformes. 

Na última edição, disputada em 2015 na Coreia do Sul, o Brasil encerrou na 23ª colocação no quadro de medalhas. Não foi traçada uma meta pública, mas a expectativa é que o País melhore sua posição este ano, principalmente pela participação dos atletas olímpicos.

O maior reforço é na natação. Ao todo, 10 nadadores que estiveram nos Jogos do Rio estão em Taipei. Dentre eles está Henrique Martins, que há dois anos conquistou um ouro e uma prata na Universíade e mês passado esteve no Mundial de Budapeste.

Cursando administração, o nadador diz gostar da competição. “Na minha opinião, é a que mais se aproxima de uma experiência olímpica e é uma ótima oportunidade para se acostumar a ficar em Vila (de Atletas), competir com o resto do mundo e nadar eliminatória, semifinal e final. É bem difícil achar uma competição que tenha essa estrutura”, conta Henrique. “É uma competição de alto nível, divertida e que vale muito a pena participar.”

Ele conta que a opção em disputar a Universíade foi pessoal, sem exigência de clube ou patrocinador – vale ressaltar que a competição não soma pontos no ranking mundial de atletas e, portanto, não é considerada para concessão de bolsa na categoria Pódio, do Programa Bolsa Atleta.

“Estas duas semanas seriam minhas férias pós-Mundial. Quando surgiu a oportunidade de vir para Taipei, conversei com meu técnico e clube e decidimos que seria uma boa oportunidade de competir mais uma vez em alto nível. Eles deixaram eu escolher se queria ou não participar”, ressalta Henrique Martins.

Nadador que tirou Cesar Cielo dos Jogos do Rio, ao ser o segundo mais rápido nos 50 metros livre no Troféu Maria Lenk do ano passado, Ítalo Manzine também está na China. Ele explica que disputar os Jogos Universitários depois de estar numa Olimpíada não pode nunca ser visto como demérito.

“Os grandes atletas que chegam às seleções brasileiras de diversas modalidades quase nunca passam pela universidade. Acabam passando por clubes, que é um modelo diferente em muitos países”, observa o nadador, que também cursa administração. “Estados Unidos e Inglaterra, por exemplo, são referências em resultados olímpicos. O esporte universitário crescendo é importante para fazer uma boa base no Brasil. O esporte tem que passar pela escola e universidades.”

Dentre as mulheres, Manuella Lyrio disputará a Universíade pela primeira – e, segundo ela, única – vez. Estudante de Nutrição, ela comenta sobre as dificuldades em conciliar aulas, treinos e competição. “Vamos perder um mês de aula por causa da Universíade e do Brasileiro, que tivemos uma semana antes. Tenho que fazer treinos de madrugada, às vezes fico com os horários um pouco diferentes da equipe por estudar de manhã, e no fim de semana também uso para dar uma estudada e não só descansar e me divertir”, conta. “Mas queria viver isso aqui e o pouco que vivenciei já estou amando.”

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Bronze no Rio-2016 e aluno de gastronomia, Maicon Andrade é visto como ‘chef’ pelos colegas

Na Universíade, atleta é um dos favoritos a ir ao pódio

Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

19 de agosto de 2017 | 07h02

Medalhista de bronze no taekwondo para atletas com mais de 80kg nos Jogos do Rio-2016, Maicon Andrade é outro reforço de peso da delegação brasileira nos Jogos Olímpicos Universitários. Em 2015, ele também levou bronze na Universíade disputada na Coreia do Sul.

Além de ser um dos favoritos a ir ao pódio, o atleta com status de medalhista olímpico também é procurado por membros da delegação brasileira devido a sua habilidade fora das competições esportivas: ele é aluno do curso de gastronomia.

Maicon conta que suas habilidades culinárias são exploradas pelos colegas. “Tem os folgados sim, que pedem pra eu cozinhar. Ou pedem palpite. Se deixar, viro cozinheiro chefe da delegação”, comenta, brincando. 

“Eles me veem como chef. Com os malandros eu tenho que ficar esperto. Falta só comprar a roupa de chefe para eu cozinhar”, diverte-se Maicon. “A gente faz se precisar, damos um jeito. Estamos unidos para tudo. Temos que estar juntos a todo momento, ainda mais quando estamos fora do país.”

O atleta de taekwondo diz que o curso de gastronomia está sendo útil também para a Universíade. “A gastronomia está me ensinando muita coisa. Tenho pouco tempo, mas já aprendi bastante. Em Taipei, por exemplo, sempre tento comer a comida padrão: arroz branco, macarrão, lasanha e peixe. Peixe é parecido em todo lugar. Carne vermelha complica, porque você não sabe qual animal foi abatido”, explica. “(Procuro) Sempre pegar o máximo que for da nossa cultura. Tem que tomar cuidado com legumes, pois são diferentes do que estamos acostumados. É melhor quando a gente mesmo prepara.”

Sobre a competição, ele exalta a força dos adversários. “Jogos Olímpicos é o sonho de todo atleta, e os Jogos Olímpicos Universitários também. É de grande importância o atleta estar na Universíade. É uma competição muito forte, em que você encontra os cinco mais top do ranking”, assinala.

Tudo o que sabemos sobre:
Universíade

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.